O conflito na Faixa de Gaza entra na segunda semana em meio a apelos de organizações internacionais por um cessar-fogo e denúncias de outras pelo uso desproporcional da força por parte de Israel. Esta, por exemplo, é a denúncia que faz a Anistia Internacional, ao mesmo tempo em que critica a parcialiadade dos EUA no episódio. Isto não é novidade. Os EUA sempre estiveram ao lado de Israel e mais ainda sob o governo Bush. Pode-se até dizer que este foi o governo mais pró-Israel de toda a história. Outros governos recentes, como de Clinton, de Reagan ou Carter, embora se mantivessem aliados de Israel, faziam cobranças ao governo israelense na questão com os palestinos. Bush não tomou conhecimento dessa questão. Seu foco esteve sempre no Iraque, em atenção às corporações que lhe deram suporte nas eleições.
Mas a Anistia tem razão em cobrar um posição dos EUA, pois o país sempre teve ingerência sobre as partes em disputa. No entanto, como se observa, não será agora, com Bush em fim de mandato, que sairá uma ação. Tanto que a secretária de Estado Condoleezza Rice, ao invés de ir à região para tentar algum acordo, inicia na segunda-feira a última viagem como integrante do governo Bush, indo para a China.
Assim, só depois de 20 de janeiro, quando Barack Obama assumir, que se poderá ter alguma ação americana no conflito do Oriente Médio.
MEDIAÇÃO
Israel já eliminou três líderes da primeira linha do Hamas. Mas já eliminou também cerca de 500 palestinos, 40% dos quais são civis. E aí vem a parte cruel da guerra. A morte dos inocentes. Quantas crianças já pereceram! Mas a parte cruel é fomentada pelos dois lados. Por Israel, que desenvolve uma reação totalmente desproporcional, matando indiscriminadamente. E pelo Hamas, que ao montar suas estruturas militares em meio aos civis, arrasta estes para a morte.
Este é o Oriente Médio. Ódio gerando ódio. O que faz prever que a violência não terminará com o cessar-fogo em Gaza. A inferioridade bélica do Hamas e o massacre que está sofrendo, estão, a estas alturas, insuflando de vingança a cabeça daqueles jovens que são treinados para a morte em atentados suicidas. E este é um episódio que pode estar presente no decorrer ou no pós-guerra.
Diante dos fatos, mais do que nunca urge uma ação do chamado Quarteto Negociador, formado por ONU, União Européia, EUA e Rússia. O problema que este quarteto tem à frente, para conduzir as negociações, uma figura sobre a qual até agora não se ouvir falar. É o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. Pela sua falta de ação já deveria ter deixado o cargo. Menos mal que está surgindo uma outra liderança, o presidente francês Nicolas Sarkozy. Ele já conseguiu mediar um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia. E hoje está indo para a Oriente Médio com o mesmo objetivo. Oxalá consiga êxito.