A retomada do conflito entre israelenses e palestinos do Hamas é resultado, em boa parte, da falta de uma liderança responsável nos EUA. Basta ver que sob o governo de Jmmy Carter foi conseguido o primeiro acordo de paz entre Israel e um país árabe, no caso do Egito, evento que se deu em 1979. Sob Bill Clinton, nos anos 90, se conseguiu um impensável acordo entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina, sucessora da então radical Organização para a Libertação da Palestina. Um ano depois, em 1994, foi firmado outro acordo de paz, desta vez entre Israel e Jordânia.
O acordo de paz mediado por Clinton estabelecia a existência de dois países, Israel e Palestina, vivendo cada um sob sua área territorial. Sendo que a área dos palestinos seria a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, de onde seriam retirado os assentamentos judaicos. Avançou-se tanto, que muitas cidades da Cisjordânia foram adquirindo a sua autonomia administrativa. Os palestinos anunciaram até a criação do seu “aeroporto internacional” na Faixa de Gaza. Mas bastou Clinton sair do poder e assumir George Bush para tudo retroceder. Os oito anos de governo Bush foram oito anos de atraso no processo de paz no Oriente Médio.
Na falta de ação do governo americano, foi resolvido criar um grupo negociador, formado por ONU, EUA, União Européia e Rússia. A tarefa de liderança deste grupo foi dada ao ex-primeiro-ministro da Inglaterra Tony Blair. No entanto, se Bush já é um incompetente, imagine-se o que seja aquele que foi um fiel seguidor do desastrado presidente americano? Ora, nunca se ouvir falar de uma mediação de Blair na crise do Oriente Médio.
Agora, fica-se na espera por Obama. Mas este só assume dia 20. E a mortandade que ocorre em Gaza exige urgência no cessar-fogo. Em meio a este vácuo está surgindo uma voz que procura ser ativa. A do presidente francês Nicolas Sarkozy. Ele está na zona conflagrada com o diferencial de, há poucos meses, ter conseguido um cessar-fogo entre Rússia e Geórgia.
FORÇA DA ONU
Em meio à tragédia palestina, Israel abriu uma chamado “corredor humanitário” para a chegada de suprimentos para os palestinos. Resta saber se, depois da entrega do suprimento os bombardeios serão retomados. Nesse caso, seria apenas uma espera, para matar os palestinos depois de receberem comida e medicamentos.
O fato é que esta guerra atrós poderia terminar imediatamente se houvesse uma liderança mundial com voz forte. Aliás, não precisaria nem ter começado, se um líder de peso tivesse tido a iniciativa de ouvir o que alegavam israelenses e palestinos do Hamas. Aliás, este líder deveria ter sido Tony Blair, mas este se omitiu. Israel alega que atacou porque o Hamas seguia lançando foguetes contra o seu território. Foguetes estes que alcançam distâncias cada vez maiores. O Hamas alega que lançou os foguetes porque Israel não levantou o bloqueio que impôs sobre Gaza, impedindo a chegada de alimentos, remédios, água e suprimentos em geral.
Pois bem, diante deste fato, bastava acertar a colocação de uma força internacional na área de lançamento dos foguetes, para impedir o seu lançamento. E uma outra na fronteira, para manter o fluxo de suprimentos. Ou seja, nada de extraordinário para uma força que estaria agindo em nome da ONU. É apenas uma questão de iniciativa. O que se espera que seja tomada logo para estancar a mortandade.