A guerra da intransigência entra hoje no seu 17º dia. Até agora tanto Israel quanto Hamas fizeram pouco caso da trégua decretada pelo Conselho de Segurança da ONU. Informações do Cairo dão conta de que o Hamas estaria admitindo a urgência de um cessar-fogo. Mas a informação é da agência estatal egípcia, não é do grupo palestino. Portanto, não dá para levar em conta.
O que há de concreto é que, apesar de todos os clamores internacionais, a guerra continua. E com um enorme desgaste político para Israel. Basta acompanhar as manifestações que se espalham pelas principais cidades do mundo, em protesto contra a ação israelense. Por maior razão que Israel possa ter em deflagrar a guerra contra o Hamas, a morte de civis, especialmente, de crianças, choca as pessoas que nada tem a ver com o conflito. Isto é gol contra. E os gols contra estão se acumulando. Especialmente, porque, passados 17 dias, o principal motivo para deflagrar a guerra ainda não foi alcançado. Os palestinos seguem lançando os seus foguetes contra o território israelense. Somente ontem foram 17.
Mas há ainda algo de pior nessa ação israelense: a força que está ganhando o Hamas no mundo islâmico. Vejam que o grupo estava isolado em Gaza. Rejeitado por seu irmãos palestinos do Fatah. Agora ganha apoio destes e dos radicais do Hezbollah, no Líbano, da Jihad Islâmica, que está por toda a parte, e dos fundamentalistas do Irã. Infelizmente, o resultado dessa guerra será um aumento da confrontação Israel-Irã.
Mas como, mais do que analisar os fatos, a gente torce pela paz, quem sabe Barack Obama venha com alguma novidade capaz de reverter esse quadro, cuja perspectiva é a pior possível.
BRASIL-EQUADOR
Não posso desperdiçar a oportunidade para ressaltar que está semana o embaixador brasileiro estará voltando a Quito. Ele que fora chamado a Brasília, porque o presidente equatoriano Rafael Correa havia anunciado um calote ao empréstimo que fizera junto ao Bndes, para uma hidrelétrica construida pela Odebrech. O embaixador está retornando, porque, nesta quinta-feira, o Equador colocou em dia os pagamentos ao Bndes.
Isto só comprova uma coisa: o Brasil precisa jogar duro com determinados vizinhos.