Para ser aprovada como chefe da diplomacia americana, Hilary Clinton precisava passar pelo crivo do Senado. Fez isto ontem, expondo o que pretende desenvolver como secretária de Estado. E dentre as muitas colocações que fez, duas chamaram mais a atenção. Uma delas é de que, com o novo governo, os EUA serão mais diplomacia e menos força. E a outra, até na extensão da primeira, foi uma colocação quase impensável no momento atual. Disse que os EUA buscarão uma nova estratégia para o Irã, que poderá incluir uma presença diplomática naquele país.
Agir com diplomacia em detrimento da força é tudo o que se espera da maior potência do mundo. Especialmente, depois das besteiras que fez o governo Bush. E, justamente, para tentar reparar os estragos que Bush fez, Hilary disse que as ações militares se deslocarão do Iraque para o Afeganistão e o Paquistão, com a finalidade de acabar com a Al Qaeda. Que é mais do que certo.
Ao ser questionada sobre o conflito em Gaza, Hilary disse que os Estados Unidos farão “de tudo” para conseguir uma paz “justa e duradoura” entre israelenses e palestinos. Ressaltou que a estratégia do país no Oriente Médio deve responder às necessidades de segurança de Israel e às “legítimas aspirações econômicas e políticas dos palestinos”. Embora ela não tenha falado, já transpirou que a estratégia dos EUA para o conflito iraelense-palestino será traçada num âmbito mais amplo, envolvendo uma área que vai de Israel até a Índia, passando pelo Líbano, Síria, Iraque, Irã, Afeganistão e Paquistão. Ou seja, todos os países onde há fundamentalistas islâmicos.
Em sua suma, a largada de Hilary é extremamente animadora.
RETROCESSO EM GAZA
O retrocesso político na questão israelense-palestina em função da guerra em Gaza pode ser dimensionado pela declaração do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. Ele disse que Israel quer aniquilar os palestinos. Literalmente: “Israel insiste nesta agressão para aniquilar nosso povo em Gaza”.
Abbas se tornara o grande aliado de Israel na busca de um acordo de paz. E, talvez, Israel tenha perdido a grande oportunidade de entregar-lhe Cisjordânia e Gaza como áreas do estado palestino. Pois aí caberia a ele, Abbas, administrar Gaza. O que significaria controlar o Hamas. Perdeu-se esta oportunidade. E agora o que se vê é o fortalecimento do radicalismo. O Hamas, que estava isolado em Gaza, ganha o apoio do mundo islâmico. E as ações de Israel em Gaza provocam um desgaste político para o país perante a opinião pública mundial.
Em última análise, estamos diante de um grande retrocesso.