A questão ideológica está levando o Brasil a um enfrentamente totalmente desnecessário com a Itália. O embaixador brasileiro em Roma, Adhemar Gabriel Bahadian, foi convocado pelo governo italiano para ouvir o protesto pelo fato de o governo brasileiro ter concedido asilo político ao italiano Cesare Battisti. Ele que fora condenado na Itália à prisão perpétua, por quatro homicídios que teria cometido entre 1977 e 1979. O governo italiano apelou ao presidente Lula para que revogue a decisão,que fora tomada pelo ministro da Justiça Tarso Genro, com o apoio da ministra da Casa Civil Dilma Roussef e dos ministros Franklin Martins, da Comunicação Social e da secretaria-geral da Presidência Luiz Dulci. Ou seja, todos os ex-militantes comunistas.
Battisti tem uma longa e suja ficha policial. Começa em 1971, quando abandona a escola, aos 17 anos, e passa a ser preso várias vezes, acusado de roubos e pequenos delitos. Em 1974, é condenado a seis anos de prisão por assalto. Nessa ocasião, conhece na cadeia militantes de extrema esquerda. Libertado em 1976, muda-se para Milão e adere ao grupo clandestino Proletários Armados pelo Comunismo – PAC. Em 1978, é acusado de matar o marechal da guarda penitenciária Antonio Santoro, em Udine. Isto foi a 6 de junho. Exatamente um ano depois, ele foi preso, tendo acumulado ao longo deste ano mais as acusações de cúmplice na morte do açougueiro Lino Sabbadin e do joalheiro Pierluigi Torregiani, e de ter assassinado o agente de polícia Andrea Campagna, em Milão.
Ao ser preso, Battisti negou todas as acusações. Conseguiu fugir da cadeia em 1981, indo para a França, país que rejeitou sua extradição, em 1990. Em 1993, foi julgado à revelia na Itália e condenado à prisão perpétua. Em 2004, foi preso na França e o presidente francês Jacques Chirac disse apoiar sua extradição.
Foi então que fugiu para o Brasil. Preso no Rio, a 18 de março de 2007, a Itália pede a sua extradição. Agora, o ministro Tarso Genro lhe dá o status de refugiado. Não seria de contestar a decisão de Tarso, não fosse o fato de, em 2007, o ministro ter deportado para Cuba os pugilistas Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, que desertaram da delegação cubana durante os Jogos Pan-Americanos.
Então, para o regime comunista ditatorial cubano se entrega quem desertou, sem ter cometido qualquer crime. Agora, para o governo democrático italiano se sonega a entrega de um criminoso.
Natural que os familiares das vítimas de Battisti tenham protestado na Itália. E que o governo italiano tenha insinuado que, se o presidente Lula não reverter a decisão de Tarso, poderá ser prejudicado em suas pretenções de colocar o Brasil no G-8, ou seja o grupo que toma as decisões políticas e econômicas pelo mundo.
Embora o ministro Tarso Genre negue, fica evidente o viés ideológico das decisões por ele tomadas.