Quem acompanha os assuntos internacionais começa a se dividir hoje entre a Faixa de Gaza e a posse de Obama. Pois, em Gaza, finalmente, tem-se a trégua. Uma trégua ao estilo Oriente Médio, não muito respeitada. No sábado, Israel anunciou um cessar-fogo unilateral e depois bombardeou mais uma escola da ONU. Agora, o Hamas diz aceitar a trégua por uma semana, tempo que condiciona para a retirada israelense.
Chega a ser ridículo o Hamas, com mais de 1.100 mortos e mais de 4 mil feridos, estar ainda fazendo exigência. Mas, não só o faz, como ainda se declara vitorioso. Afinal, depois de duas semanas de guerra, o Hamas segue lançando seus foguetes contra Israel. Só ontem, foram 18.
Mas a trégua vem justo na semana de posse de Obama. Ontem, o presidente eleito já deu início às atividades, fazendo seu discurso do Memorial de Lincoln. E aproveitou para destacar a situação em que recebe a presidência: “com a nação em guerra e a economia em crise”. E as guerras que ele queria tratar inicialmente eram as do Iraque e do Afeganistão. Mas terá que dar especial atenção a Israel e Gaza.
Porém, muito mais importante para os americanos, é a situação interna, cujos números apavoram. A Circuit City, segunda maior rede de eletrônicos do país, foi à falência. O Citigroup, segundo maior banco americano, anunciou que, nos últimos três meses do ano findo, perdeu 8,3 bilhões de dólares. O banco, inclusive, decidiu dividir-se em dois para continuar funcionando. A economia do país se contrai por falta de crédito.
E é com crédito sendo oferecido que Obama quer a recuperação do país. Está injetando 117,2 bilhões de dólares do Tesouro no Bank of América, o maior do país. Mas destacou em seu discurso de ontem, que quer crédito circulando na economia. Não quer ver banqueiro sentado sobre o dinheiro dos contribuintes. Ele quer acertar também a situação de quem perdeu ou está em dificuldades para manter a casa própria. O plano de recuperação e reinvestimentos de Obama prevê gastos de 825 bilhões de dólares.
Enfim, a partir de hoje se terá muito a falar sobre Obama, que assume com uma expectativa, tanto interna nos EUA, como externa, nunca vista anteriormente.