Barack Obama foi eleito presidente dos EUA sem o apoio das grandes corporações, mas com uma campanha chamada “de baixo para cima”. Uma campanha que se desenvolveu através da Internet, unindo comunidades de quarteirões, de bairros, de cidades, de estados e assim por diante. Foi um grande fenômeno de mobilização comunitária. Pois agora Obama está fazendo a convocação do mesmo sistema para ser colocado em prática em seu governo.
Obama lançou o projeto “Organizando-se pela América”, em que convoca grupos comunitários que se engajaram em sua campanha para se filiarem a uma nova rede na internet, por meio da qual poderão, diz Obama, “continuar organizando e trazendo mais gente para o processo político”. Na prática, ele tenta reforçar a base de apoio para projetos do governo em ações de voluntariado e arrecadação de dinheiro, mas também de pressão política sobre legisladores e Estados. Assim, quer importar para a Casa Branca o conceito de revolução “de baixo para cima”, que o impulsionou na eleição.
PACOTE
Obama também já definiu o pacote de emergência, denominado de “plano de recuperação e reinvestimento”, que prevê gastos de 825 bilhões de dólares. Desse total, 550 bilhões serão destinados a projetos de infraestrutura, energia renovável, ciência e tecnologia, educação e saúde. O restante, 275 bilhões, será empregado num programa de redução de impostos, com duração de dois anos. O leão americano vai facilitar a vida do cidadão. Obama quer colocar, pelo menos, mais 500 dólares na mão do cidadão e um mínimo de 1.000 dólares por família.
Outro fator que Obama quer atacar é a inadimplência dos imóveis. O volume de execuções hipotecárias, por conta da inadimplência, cresceu 81% em 2008 na comparação com o ano anterior. O número de proprietários que recebeu algum tipo de alerta pelo atraso do pagamento do imóvel chega a 2 milhões 330 mil. Os mutuários deverão ter a ajuda dos bancos, que por sua vez também estão recebendo ajuda. E ajuda substancial. O Bank of America, o maior do país, está recebendo 117,2 bilhões de dólares. E o segundo maior conglomerado financeiro, o Citigroup, recebe 301 bilhões de dólares.
Cada setor que recebe ajuda fica no compromisso de fazer a sua parte para a recuperação do país, que perdeu 2,8 milhões de empregos no último trimestre do ano. Obama quer gerar 3 milhões de empregos para compensar a perda. Tentará tudo isto do alto dos 79% de aprovação com que chega ao governo.