Ao depor, ontem, em uma audiência com os integrantes do Comitê das Forças Armadas do Senado americano, o secretário da Defesa, Robert Gates, disse que o Afeganistão é, atualmente, o “maior desafio militar” do país. “Esta será, sem dúvida, uma batalha comprida e difícil”, disse ele. É sempre bom lembrar que a batalha se tornou difícil e comprida por culpa do governo Bush, que deixou o Afeganistão de lado para se dedicar ao Iraque. Foram cinco anos perdidos. Período durante o qual, segundo Gates, os talibãs ocuparam os espaços que foram deixados pelas Forças Armadas americanas. Agora é preciso começar tudo de novo. Pelo menos mais 30 mil soldados serão deslocados brevemente para o Afeganistão, a fim de se somarem aos soldados da Otan que lá estão.
O problema maior agora é que os terroristas da Al Qaeda, que atuavam no Afeganistão, expandiram sua atuação para o Iraque e para o Paquistão. É por isto que Gates afirma que o desafio agora é maior.
A propósito, nesta terça-feira, a emissora Al Arabiya, de Dubai, exibiu a primeira entrevista de Obama a uma TV árabe como presidente americano. Na entrevista, Obama afirma que os americanos não são os inimigos dos muçulmanos. “Meu trabalho em relação ao mundo muçulmano é comunicar que os americanos não são seus inimigos; às vezes cometemos erros, não temos sido perfeitos.” Durante a campanha presidencial, Obama prometeu que melhorará os laços dos EUA com o mundo muçulmano através de uma política externa menos militarista e mais diplomática.
Na entrevista, Obama ainda incentivou negociações de paz entre israelenses e palestinos; e repetiu a frase do discurso de posse sobre ‘estender a mão’ ao Irã, desde que aquele país ‘abra os punhos’. “O diálogo e a diplomacia devem estar de mãos dadas com uma firme mensagem dos EUA e da comunidade internacional de que o Irã precisa cumprir as suas obrigações [de acabar com seu projeto nuclear] tal como foram estabelecidas pelo Conselho de Segurança da ONU e de que sua rejeição não fará mais que aumentar a pressão.”
Ou seja, Obama estende a mão para o entendimento, mas deixa claro que, se a mão estendida for rejeitada, a arma está pronta para ser usada.