A queda acentuada que se verifica no preço do petróleo no mercado internacional está ameaçando o desenvolvimento de países que experimentaram crescimento acelerado na última década, como a Rússia, por exemplo. O país, que atravessou uma crise profunda em 1998, conseguira alcançar em 2007 uma das menores taxas de desemprego de sua história recente. Estavam desempregados 4,2 milhões de trabalhadores, contra 9,2 milhões de 1999. Só que, com a crise, o número de desempregados voltou a crescer. E o dinheiro do petróleo, que ajudava a promover obras de infraestrutura e, em consequência, o emprego, escasseou. A queda nos preços do petróleo deve ajudar a elevar o déficit orçamentário russo a 8% do PIB este ano.Um relatório recém divulgado pelo governo indica que os esforços governamentais para estimular a economia e combater a potencial instabilidade decorrente do desemprego devem custar mais de 50 bilhões de dólares.
Como consequência, esta situação deve brecar o espírito expansionista que a Rússia estava voltando a adquirir sob a liderança Vladimir Putin.
VENEZUELA
Em meio ao despencar das bolsas ontem pelo mundo, despencou também o preço do petróleo, para desgraça de Hugo Chávez. O presidente venezuelano sustenta seus programas assistencialistas com o dinheiro que o país aufere com a venda de petróleo. Aliás, único produto de exportação. O problema é que este preço não pode baixar de 65 dólares o barril, senão não há lucro. E o preço, já faz algum tempo, tem girado em torno dos 40 dólares.
Com dificuldades com o petróleo, Chávez tenta manter o sistema de abastecimento do país ao estilo cubano, ou seja, com os armazéns do Estado que devem fornecer os produtos básicos para os cidadãos. Produtos a preços tabelados. E aí vem outro problema. Chávez quer que os fornecedores mantenham seus preços congelados, quando a inflação anualizada está beirando os 30%. Resultado: falta arroz, falta feijão, falta material de limpeza. Enfim, como em Cuba, falta quase tudo. E aí Chávez apela para a ocupação da empresa que não esteja fornecendo material. Como acaba de proceder com as beneficiadoras de arroz.
No seu discurso proselitista, Chávez ameaçou com a expropriação das empresas, salientando que o pagamento nãoserá com dinheiro, mas com bônus. Ou seja, o proprietário irá perder a sua empresa.
Pois bem, diante deste quadro, surge uma indagação e uma constatação. A primeira é, quem ainda irá investir na Venezuela? E a constatação é de que em breve o país se tornará uma grande Cuba. Isto se ainda auferir dinheiro do petróleo. Caso contrário, ficará ainda pior.