A secretária de Estado Hilary Clinton começou pelo Egito uma intensa atividade diplomática com vistas a tirar da estagnação o processo de paz entre israelenses e palestinos. Algo muito difícil pelo que se vislumbra. A primeira iniciativa de Hilary, nesta segunda-feira, em Sharm el-Sheik, no Egito está mais para a filantropia. Vai se reunir com representantes de países que estarão fazendo doações para a reconstrução da Faixa de Gaza. Segundo as informações, Hilary deverá anunciar uma substancial contribuição de 900 milhões de dólares. Uma ação que visa, entre outras coisas, captar a simpatia do povo palestino.
O problema é que, entre captar a simpatia do povo palestino e convencer o Hamas a mudar sua política vai uma diferença muito grande. A chegada de Hilary foi antecedida pelo anúncio, partido do Cairo, de que os representantes do Hamas e do Fatah chegaram a um acordo para a formação de um governo palestino de união. Porém, um acordo que não tem sustentação, pois já esbarrou nas posições divergentes que tem Hamas e Fatah com relação a Israel. O presidente da ANP Mahmoud Abbas disse que para participar de um governo de união o Hamas precisa aceitar a proposta de formação de dois estados, Israel e Palestina. No que foi contestado pelo representante do Hamas, dizendo que não aceita esta proposta, assim como não aceita a existência de Israel. Hilary também apelou ao Hamas para que reconheça Israel como um Estado e, em troca, seja reconhecido como representante do povo palestino. Recebeu como resposta a acusação de que a sua proposta “é uma intromissão inaceitável nos assuntos internos palestinos”, segundo o porta-voz do Hamas em Gaza, Ismail Radwan.
E aí é que os negociadores perdem oportunidade. Deveriam condicionar a ajuda para a reconstrução de Gaza ao aceite das três condições que lhe foram impostas em 2006 pelo Quarteto de Madri (EUA, Rússia, ONU e UE): reconhecer Israel, aceitar os acordos de paz assinados e abandonar a luta armada. Na medida em que a população de Gaza sentisse que estava deixando de receber ajuda por causa da intransigência do Hamas, o grupo iria perder força política entre os palestinos. Em consequência, reforçaria o Fatah, que é quem aceita a proposta dos dois estados.