A presidente Cristina Kirchner está enfrentando sérias dificuldades, tanto no âmbito interno de seus país quanto nas relações com o seu principal vizinho, o Brasil. Internamente, segue o problema com o setor rural. No dia 12 último completou-se um ano da primeira mobilização do setor do agro-negócio contra o governo. O problema segue sendo a alta taxa que o governo aplica nos produtos exportados. Taxas que, como no caso da soja, vão a 44%. Ou seja, o governo fica com praticamente a metade do que fatura o produtor, sem gastar nada com o produto.
Nos últimos dias, três reuniões foram realizadas entre representantes do governo e do setor rural, mas não se chegou a acordo. Os produtores voltaram a fazer paralisações. O que não surpreende. Se no ano passado, quando não havia crise o país crescia a 9% ao ano, o governo não conseguiu entender as reivindicações do setor, imagine-se agora, que a crise está instalada e o crescimento do PIB despencou?
A conclusão é simples, na medida em que segue batendo de frente com o setor responsável pelo crescimento, o governo simplesmente está ajudando a afundar o país.
Quanto às relações com o Brasil, estão num momento difícil. Lula e Cristina se encontraram em São Paulo, mas nada avançou. Ela veio com um comitiva de 500 empresários, tentando atrair negócios para o seu país. Mas, do jeito que está, fica muito difícil. Agora, Cristina pressiona o Brasil para mudar regras do Mercosul no que toca ao setor automotivo. Pelo acordo atual, 60% das peças dos veículos que circulam no Mercosul sem pagar a tarifa de importação devem ser produzidos no bloco. Não há exigência com relação ao país. A Argentina quer que de 30 a 40% das peças sejam produzidas na Argentina. Será difícil atender. As montadoras brasileiras são contra.
Apesar de tudo, talvez seja mais fácil Cristina obter um acordo com o Brasil do que com o setor produtivo do seu país.