Há uma teoria que diz: “se não podes derrotar o teu inimigo, te alia a ele”. Pois é isto que os EUA estão dispostos a fazer no Afeganistão. O inimigo, no caso, é o Talibã, o regime que dominava o país e que foi deposto pelos EUA logo após o 11 de setembro de 2001. Foi deposto mas segue vivo e recuperando suas forças. Esses mais de sete anos não foram suficientes para aniquilá-lo. É bem verdade que nesse período não houve uma ação concentrada dos EUA no Afeganistão porque, tão logo derrubou o Talibã do poder, o presidente Bush resolveu deslocar as tropas paraa nefasta aventura no Iraque. Obama tenta compensar esse erro determinando a saída do Iraque e o retorno das tropas para o Afeganistão. Mas sabe que não pode sair rapidamente do território iraquiano e sabe também que o Talibã ainda tem muita força no país.
Daí então a estratégia a ser colocada em prática. Consistirá em atrair o Talibã para a Arena política. De acordo com o que falou ao jornal britânico “The Observer” o embaixador americano em Cabul, William Wood, o objetivo é fazer com que já na próxima eleição, prevista para agosto, o Talibã venha a participar, quer na forma de partido político ou com candidatos avulsos.
O curioso nisso é que os EUA estariam aceitando e reconhecendo o movimento que deu guarida para a Al Qaeda, executora dos atentados do 11 de setembro. E a Al Qaeda que hoje está presente também no Iraque e no Paquistão. O que se dá, diga-se de passagem, pela decisão de Bush de ter trocado o Afeganistão pelo Iraque. Mas, segundo o embaixador Wood, há uma diferença substancial entre os dois movimentos. A Al Qaeda, assim como a Jihad Islâmica, é um movimento multilateralista. Ataca em qualquer lugar. O Talibã, assim como o Hamas, tem prioridades territoriais e nacionais. É um movimento que não dá para ignorar ou eliminar pela força.
Assim, a incorporação do Talibã à política tradicional pode ser a grande novidade da política de Obama para o Afeganistão.