Depois de ser destaque na Cúpula das Américas, ao presentear o presidente Barack Obama com um livro de Eduardo Galeano, “As Veias Abertas da América Latina”, o presidente Hugo Chávez enfrenta problemas na volta para casa. Desde ontem há uma mobilização muito grande pelo país em defesa do ex-candidato presidencial e atual prefeito de Maracaibo Manuel Rosales. Ontem, foi realizada uma grande manifestação em Maracaibo, a segunda maior cidade do país, e para 1º de maio está programado um grande manifesto nacional em defesa da democracia.
A questão de Rosales é delicada. Chávez o acusou publicamente de corrupto, golpista e mafioso. Aí vem aquela dubiedade. Chávez só chegou ao poder porque havia muita corrupção entre os políticos venezuelanos. Não se sabe se este é o caso de Rosales. Até porque a acusação que pesa contra ele é de algo insignificante para um político. Teria omitido em sua declaração de imposto de renda a origem de um recebimento de 65 mil dólares. Ora, isto não deveria ser motivo para o Ministério Público mandar prender o prefeito, como aconteceu. E aí vem o outro lado da questão. Chávez manobrou à sua vontade e colocou no Judiciário gente de sua confiança. Que faz o que ele quer. O que coloca em dúvida a acusação contra Rosales, que teve o embargo de seus bens decretado pela Justiça. A mesma justiça que mandou prender, há um mês, o ex-ministro da Defesa Raúl Isaías Baduel, que há cerca de um ano passou de aliado de Chávez à integrante do movimento de oposição ao regime. Ou seja, é a atuação de um Judiciário atrelado a Chávez o que, por conseguinte, não inspira confiança.
O fato está ajudando a oposição a se articular em uma grande frente política, que reúne vários partidos, inclusive o Podemos, que até 2007 era integrante do bloco chavista.
Como se observa, Chávez, que já está enfrentando problemas financeiros para seus programas assistencialistas em função da baixa no preço do petróleo, passa a enfrentar uma oposição que, finalmente, se organiza.