O presidente Lula realizou nesta quinta-feira uma visita à Argentina, em mais um momento delicado nas relações com o vizinho país. Tanto que uma das principais indagações que a imprensa brasileira fez a ele em Buenos Aires foi sobre as novas medidas protecionistas recém adotadas pela Argentina contra a entrada de produtos brasileiros. Lula respondeu da mesma forma de ocasiões anteriores, dizendo que é preciso ter paciência com o vizinho, que vive um momento muito difícil de sua economia.
Na realidade, o Brasil tem tido muita paciência com a Argentina, que seguido tem estabelecido limites à entrada de produtos brasileiros. A paciência é justificada porque se trata de um importante parceiro comercial. Apesar das dificuldades do Mercosul, o comércio entre os dois país vem crescendo de forma acelarada. Mesmo assim, Lula aproveitou para dar uma alfinetada em Cristina Kirchner ao dizer que “a tese que o Brasil defende é de que, quanto mais protecionismo, menos possibilidades teremos de resolver a crise mundial. Quanto mais liberdades, maiores as possibilidades de resolvê-la”.
O problema que o protecionismo não é uma tendência apenas da Argentina. É uma tendência mundial hoje em função da crise. E, aliás, esta é mais um visão divergente de Brasil e Argentina, dificultando uma posição conjunta a ser defendida na Organização Mundial do Comércio. Mas, enfim, isto não é novidade no relacionamento bilateral.