Está confirmada a vitória do presidente Rafael Correa nas eleições deste domingo no Equador. Vitória que poderá ser completa caso se confirme a maioria de seu partido Aliança País no Congresso. Correa, que está há apenas dois anos no poder, colocou o seu cargo em disputa depois de ter obtido, em setembro do ano passado, ampla vitória no plebiscito que aprovou a nova Constituição do país. Constituição pela qual ele deverá promover reformas semelhantes às que realizou o seu inspirador maior Hugo Chávez, na Venezuela.
O Equador está repetindo a Venezuela pelos mesmos motivos que levaram Chávez ao poder: corrupção e desestruturação dos partidos tradicionais. Perderam o contato com a sociedade civil. Os três presidentes que antecederam Correa não terminaram seus mandatos. Foram forçados a deixar o poder antes do final do mandato, sempre em meio a manifestações e intervenção militar.
Como a nova Constituição zerou tudo em termos de mandato, Correa poderá permanecer no poder até 2013 e então se candidatar a um novo mandato, até 2017. Diferentemente de Chávez, Correa tem um opositor forte. E é justamente na sua terra natal, Guayaquil. O prefeito Jaime Nebot é um ferrenho adversário e consolidou sua posição com a sua reeleição ontem, com cerca de 69% dos votos. Pelo menos dali seguirá o bastião de resistência ao “socialismo do século 21” que Correa estende para o Equador.
OPOSIÇÃO DIVIDIDA
Rafael Correa, seguidor da idéias de Hugo Chávez, conseguiu sedimentar o projeto do “socialismo do século 21” para o Equador. Ganhou a eleição deste domingo por ampla margem de votos. A oposição dividiu-se em seis candidatos e com isto Correa alcançou os 51,72% dos votos, obtendo a vitória no primeiro turno. Enquanto que seu mais próximo seguidor, o ex-presidente Lúcio Gutiérrez, obteve 27,98% e Álvaro Noboa teve 11,61%.
Como a Constituição aprovada em setembro último zerou tudo, Correa poderá governar até 2013, quando poderá se candidatar a novo mandato até 2017. Como já está há dois anos no poder, poderá completar 10 anos. Se o fizer, será uma façanha, neste país onde os três presidentes que antecederam Correa não conseguiram terminar seus mandatos. Foram forçados a renunciar, pela pressão do povo ou pela forças das armas.
A expectativa maior de Correa agora é quanto à Assembléia, composta de 124 membros. Espera conseguir a maioria para poder aprovar seus projetos de estatizações. Se não chegar à maioria absoluta, terá oportunidade de compor com algum partido pequeno. Os dois anos de governo de Correa fora marcados por medidas controvertidas na área econômica, como renegociações de contratos com empresas petroleiras, onde se incluiu a Petrobrás. Ele também disse desconsiderar uma dívida externa de 3,2 bilhões de dólares, por considerá-la “ilegal”. E tentou, inclusive, dar um calote no nosso BNDES, de 250 milhões de dólares, que foram emprestados para a construção de uma hidrelétrica por parte da Odebrecht. Depois de o governo brasileiro ter retirado o embaixador em Quito ele voltou atrás e retomou o pagamento da dívida.
Enfim, são as idéias bolivarianas de Chávez que se espalham pela região.