(Artigo publicado no Correio do Povo de domingo 03/05/09)
Barack Obama celebrou, nesta quarta-feira seus 100 dias de governo com algumas marcas históricas. Uma delas, o feito de, a cada três dias, ter colocado em prática um de suas promessas de campanha. Outra, de chegar ao centésimo dia como o presidente americano com o mais alto grau de aprovação no período: 67%. Obama mudou a forma como o mundo vê os EUA. Enterrou os símbolos da era Bush. Trocou aquela visão arrogante e autoritária de Bush, pela imagem de um país que quer cooperar com os demais. Que, comprovadamente, trocou as ações belicistas pelo diálogo diplomático. Que se reaproximou de antigos aliados dos quais estava afastado e estendeu a mão para os inimigos.
Senão, vejamos. Alemanha e França, tradicionais aliados dos EUA, vinham batendo de frente com Washington desde a invasão do Iraque. Obama reestabeleceu o diálogo com ambos, além de traçar ações conjuntas. As relações com a Rússia, através de Bush, estavam voltando ao esfriamento do período da Guerra Fria. Obama não só voltou a dialogar com Moscou como estabeleceu as bases para a conclusão neste ano da revisão do tratado Start, de redução de arsenais nucleares estratégicos, assim como para a aprovação pelo Senado do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares. Definiu a retirada das tropas do Iraque e o seu deslocamento para o Afeganistão, porque é lá que está o terror. Promoveu uma distensão com inimigos históricos como Irã e Cuba. Reaproximou-se da América Latina e destacou o papel do Brasil como importante ator regional e global.
No âmbito interno, promoveu a igualdade de salários entre homens e mulheres; autorizou os financiamentos para o desenvolvimento de pesquisas com células tronco; estabeleceu o fim da tortura e o fechamento da prisão de Guantánamo; liberou também o financiamento público para entidades que defendem o aborto. Na área ambiental, estabeleceu prazo até 2020 para redução de 16% nas emissões de CO2 com relação aos índices de 1999. Além, evidentemente, da substancial ajuda financeira que mobilizou para tirar o país e o mundo da crise econômica.
Por enquanto, tudo ainda é lua de mel. Mesmo a colocação em pratica de algumas das promessas de governo. Simplesmente, porque as ações iniciadas vão necessitar de conclusões. A questão do Iraque, por exemplo. Sabe-se que o que está sendo feito é o correto: a retirada das tropas do território iraquiano e o seu deslocamento para o Afeganistão. O que não se sabe é se o Iraque se auto-sustentará militarmente após a saída americana. Tampouco se sabe se será possível derrotar o Talibã no Afeganistão. Assim como também se tem dúvidas sobre o futuro do Paquistão. Todas essas ações precisam ser desenvolvidas numa área em que o fundamentalismo islâmico tem muito força e onde há muita rejeição à presença de ocidentais. E ainda tem a crise econômica, que não se sabe até onde vai. Esses são fatos que demandarão muito mais do outros 100 dias para serem avaliados. No entanto, as realizações desta arrancada mostram novos e mais humanos ventos que emanam da Casa Branca.