Hugo Chávez está novamente no ataque à imprensa. Há dois anos, ele fechou a RCTV, que fazia oposição ao seu governo. Chávez só quer receber elogios, não quer receber críticas. Ele fica feliz quando propicia algum benefício ao seu povo, como acontece agora com um aparelho celular, que dispõe de câmera fotográfica e capacidade de armazenar música e que está sendo vendido a preço equivalente a 28 reais. O defensor do socialismo do século 21 provocou uma febre de consumo digna do capitalismo com o aparelho. Mas o resultado da oferta se espelhou em Cuba. Enormes filas se formaram para comprar o celular, mas as 5 mil unidades colocadas à venda logo se esgotaram e não havia mais para reposição.
Porém, voltando à questão da imprensa, Chávez se volta agora contra a Globovisión. Prometeu retirar a televisão do ar se ela não parar com as críticas a seu governo. A Comissão Nacional de Telecomunicação, controlado pelo chavizmo, evidentemente, abriu processo contra a Globovisión, acusando-a de “que poderia ter provocado temor, confusão ou Pânico na população” ao divulgar, na madrugada do dia 4, um terremoto que atingiu o país, mas que, apesar de ter alcançado 5,6% na escala Richter, só provocou danos pequenos. Segundo a direção da Globovisión, esta é primeira vez que vão punir uma emissora por divulgar uma informação que buscava tranquilizar a população. E a explicação para o fato ele acertou na mosca: tudo porque a Globovisión divulgou o terremoto antes das emissoras estatais.