O Brasil está vivendo um dilema com relação ao ingresso da Venezuela no Mercosul. O assunto está pendente por aqui, dependendo de aprovação no Congresso. Aliás, o mesmo precisa ser feito no Paraguai. Argentina e Uruguai já aprovaram o ingresso venezuelano no organismo regional.
O que ocorre é que um dos preceitos para um país fazer parte do Mercosul é a preservação da democracia. Só que, sob Hugo Chávez, a democracia vem sendo sutilmente agredida na Venezuela. Nos últimos dias, por exemplo, Chávez tem atentado contra a liberdade de expressão, ameaçando tirar do ar a emissora de TV Globovisión. Hugo Chávez, ordenou que o ministro das Obras Públicas e Habitação, Diosdado Cabello, inicie uma investigação sobre a emissora. Isto porque ela denuncia as nacionalizações de Chávez e seus ataques à propriedade privada.
Isto e muitas outras ações de Chávez estão pesando na avaliação que o Congresso brasileiro está fazendo. E se dependesse de algumas bancadas, como do PSDB e do Dem, o ingresso seria rejeitado. Mas a questão principal é que não se pode pensar a Venezuela somente sob Chávez. Há todo um empresariado no país interessado em fazer negócios com o Brasil. E, por conseguinte, há todo um empresariado brasileiro que vislumbra o crescente mercado venezuelano. Só para ser ter uma idéia, nos quatro primeiros meses deste ano, a Venezuela foi o segundo país que mais contribuiu para o saldo comercial brasileiro. Quase empatou com a China, que foi o nosso principal comprador.
Assim é que, decidir entre os interesses comerciais e as pretensões absolutistas de Chávez é o desafio que se apresenta para a decisão do Congresso brasileiro.