O primeiro-ministro de Israel Benyamin Netanyahu inaugurou a série de reuniões que o presidente Barack Obama programou para manter com dirigentes do Oriente Médio. O objetivo de Obama é tentar impulsionar o estagnado processo de paz do Oriente Médio, com base na proposta traçada em 2007 por EUA, União Européia, Rússia e ONU. Proposta esta que consiste na formação de dois estados – um para israelenses e outro para palestinos – com fronteiras definidas e seguras.
O problema é que esta proposta não ecoa mais no atual governo de Israel. A aceitação de um estado para os palestinos é descartada por Netanyahu e por seus companheiros de governo, a começar pelo chanceler Avignor Liberman. Mesmo assim, o chefe do governo israelense teve que ouvir de Obama a manifestação de sua determinação de levar a proposta adiante. Porém, o que está sendo pior para os dirigentes de Israel é a questão do Irã. Com George Bush, Israel compartilhava a opinião de que o Irã era um inimigo mortal. Barack Obama já pensa diferente. Tem acenado com paz para o Irã, para desgosto de Israel. Obama tem a convicção de que trazendo o Irã para o seu lado ele desativando um substancial apoio para os radicais do Oriente Médio.
E para maior desgosto ainda de Israel, esta visão deverá ser compartilhada com a maioria, senão a totalidade, dos próximos dirigentes do Oriente Médio que Obama irá receber na Casa Branca.
MARTE E VÊNUS
Bibi é de Marte, Obama é de Vênus. Assim o jornal israelense “Yediot Aharonot” definiu as divergências entre o atual primeiro-ministro de Israel Benyamin Netanyahu e o presidente americano Barack Obama. Ou seja, estão em planetas diferentes.
Desde antes de sua criação, em 1948, o Estado de Israel sempre teve o mais irrestrito apoio dos EUA. Ajuda financeira, armamentos, suporte político, etc, fizeram parte das ações americanas em prol dos israelenses. Esta harmonia, no entanto, parece agora estar se rompendo. O primeiro encontro entre o presidente Barack Obama e o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu, nesta segunda-feira na Casa Branca, mostrou divergências acentuadas na condução do processo de paz do Oriente Médio.
Desde a época de sua campanha eleitoral, Barack Obama deixou claro que ser pró-Israel não significaria endossar as políticas do maior partido do país, o Likud, de extrema-direita e que chegou ao poder com Netanyahu, numa aliança com o ainda mais radical partido Israel Beitenu do chanceler Avignor Liberman. O resultado natural das trocas de governo nos EUA e em Israel foi a mudança no enfoque das questões do Oriente Médio. Obama quer levar adiante a proposta de 2006 do Quarteto de Madri – EUA, UE, ONU e Rússia – que estabelece a constituição de dois Estados, o de Israel e o da Palestina, sob fronteiras definidas e seguras. O novo governo israelense descarta esta idéia. Mas a divergência entre Washington e Tel Aviv se acentua na questão do Irã. Se dependesse da vontade das autoridades israelenses, a sua forças aérea já teria bombardeado as instalações nucleares do Irã. Para Obama, o Irã não é mais o inimigo mortal e integrante do “eixo do mal” da era Bush. É um país quem quer dialogar, porque pode ajudar a resolver múltiplas questões da região: dos palestinos, do Iraque e do Afeganistão.
Como se vê, novos e conflitantes tempos nas relações entre EUA e Israel, especialmente, porque um dirigente está em Marte e o outro em Vênus.