(Artigo publicado no Correio do Povo de domingo, 07/06/09)
O presidente Barack Obama iniciou pela Arábia Saudita uma viagem pelo Oriente Médio, com o objetivo precípuo de estabelecer uma reaproximação dos EUA com o mundo muçulmano. No Cairo, segundo etapa de sua gira, conclamou o mundo muçulmano a participar de uma aliança contra o terror. Este giro tem o objetivo de estabelecer uma reaproximação dos EUA com o mundo islâmico. Especialmente, porque Obama sabe que para derrotar os terroristas da Al Qaeda e de Talibã, ele precisa da ajuda de países muçulmanos, onde se incluem inimigos como Irã e Síria.
Sempre de maneira sutil, em seu pronunciamento, Obama deixou claro que a ação dos EUA no Afeganistão era plenamente justificada depois do 11 de setembro, porque foi ali que os autores dos atentados se refugiaram. Deixou claro também o erro cometido pela administração Bush ao atacar o Iraque e ressaltou que o objetivo americano é devolver, o mais rápido possível, o Iraque para os iraquianos. Deixando claro que não querem ali território, bases ou recursos. O que era justamente o objetivo de Bush. Mas os parceiros de Bush não se conformam com a ação de Obama. Apesar dos estragos que fizeram, seguem com sua arrogância. Arrogância esta expressa pelo ex-governador de Massachusetts e possível candidato republicado às eleições de 2012, Mitt Romney. Disse ele que Obama não tem que fazer pedidos de desculpas, porque os erros cometidos pelos EUA são mínimos diante do que o pais significa para as esperanças e aspirações dos povos pelo mundo. Ou seja, na concepção dele, invadir o Iraque, provocar a morte de 200 mil iraquianos, segundo dados da ONU, e de 5 mil soldados americanos, é um erro pequeno
Obama sabe que precisa sair logo do Iraque e reforçar a luta contra o terror no Afeganistão e no Paquistão. E quanto mais apoio tiver na região, tanto mais rapidamente irá derrotar os terroristas. E para esta ajuda era fundamental o que ele está fazendo: a busca de alianças, ao invés da confrontação de Bush. Mas Obama também enfrenta problemas com um aliado importante: Israel. A visão do novo governo israelense sobre as questões dos palestinos e do Irã bate de frente com o que Obama defende. Em seu discurso no Cairo Obama defendeu duas posições que encontram rejeição no atual governo israelense. Defendeu o direito de a “Palestina” existir. Com base na proposta de dois estados – Israel e Palestina – convivendo sob fronteiras definidas e seguras. Quanto ao Irã, reconheceu abertamente o direito de o país ter um programa nuclear civil. Israel acusa Teerã de buscar produzir a bomba atômica para atacá-lo. Teerã diz que quer só produzir energia. E se assim o for, tem todo o direito, conforme ressaltou Obama, porque o país é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Ou seja, pode produzir energia nuclear assim como o Brasil ou a Argentina produzem. Desde que, logicamente, concorde com a inspeção da AIEA, Agência Internacional de Energia Atômica. Enfim, Obama coloca sua doutrina em prática.