Em outubro de 2008, numa demonstração de boa vontade, o então presidente americano George Bush retirou o nome da Coréia do Norte da famosa lista que compunha “o eixo do mal”. Afinal, na oportunidade, o país havia concordado em submeter suas instalações nucleares à inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica. Isto em decorrência de acerto estabelecido com EUA, Rússia, China, Japão e Coréia do Sul. Assim, o presidente americano que sempre batera de frente com a Coréia do Norte, se mostrava benevolente com o país.
Pois agora, o presidente Barack Obama, que tem acenado com o diálogo para os tradicionais inimigos dos EUA, está na iminência de agir militarmente contra a Coréia do Norte. Tudo porque os norte-coreanos acabaram expulsando, em março, os inspetores da AIEA, e voltaram a realizar teste nuclear e lançamento de mísseis balísticos. Além disto, um tribunal da Coréia do Norte condenou duas jornalistas dos EUA a 12 anos de prisão num campo de trabalhos forçados. Laura Ling e Euna Lee foram presas na fronteira entre as duas Coréias a 17 de março. Elas, que trabalham para a Current TV, rede que tem como um dos proprietários o ex-vice-presidente Al Gore, realizavam uma reportagem investigativa sobre tráfico de mulheres.
Assim, em um enfático pronunciamento, a secretária de Estado Hilary Clinton disse que os EUA poderão passar a interceptar, por mar ou por ar, os carregamentos de armas ou nuclear que se destinem àquele país. E convenhamos que, para ter feito este pronunciamento, Hilary deve ter se assegurado de ter o respaldo e o apoio da China. País que sempre defendeu a Coréia do Norte, mas que também já não suporta mais as loucuras do lunático presidente Kim Yong-il. Este, por sua vez, usa todos esses expedientes, inclusive as duas jornalistas, como massa de manobra para barganhar ajuda financeira dos EUA e de outras potências. Pratica, no entanto, um jogo pesado e perigoso.