A campanha do presidente Obama de reaproximação com o mundo islâmico ganhou um ponto positivo com o resultado das eleições deste domingo no Líbano. A Aliança 14 de Março, pró-Ocidente, conquistou a maioria, 71 cadeiras, no Parlamento de 128 membros. Já o movimento pró-Hezbollah, que, curiosamente, se chama 8 de Março, ficou com 57 cadeiras. Quem é apontado como o grande vencedor é o líder sunita Saad Hariri, que conduziu a campanha focada na soberania do Líbano. Ele, que é apontado como o provável novo primeiro-ministro, é filho do ex-premiê Rafik Hariri,assassinado em fevereiro de 2005, em ato atribuído à Síria e que gerou um grande levante popular. Porém, como decorrência da pressão interna e externa, a Síria, que desde 1976 mantinha tropas no Líbano, abandonou o país. Como o Hezbollah é ligado à Síria, Hariri usou a questão da soberania para tirar votos dos radicais islâmicos.
De qualquer maneira, será necessário um consenso para governar. O poder no Líbano é uma colcha de retalhos. O presidente é cristão-maronita. O primeiro-ministro é muçulmano sunita. O presidente do Congresso é muçulmano xiita. A vantagem dos vencedores da eleição é que conseguiram maioria absoluta no Congresso. Para satisfação do presidente Obama, o qual alertara que reconsideraria seu apoio ao governo libanês em caso de vitória da oposição.
Assim, no Líbano Obama saiu vitorioso. Resta esperar agora pela eleição de sexta-feira no Irã.