Foi dado o primeiro passo no sentido da comprovação de fraude nas eleições presidenciais do Irã. O Conselho dos Guardiães admitiu que em 50 cidades foi constatado que o número de votantes foi superior ao de inscritos para votar. Mas a constatação do Conselho é de que houve fraude em pelo menos 170 cidades.
A manifestação do órgão se deu depois de ter recebido os três candidatos derrotados nas eleições do dia 5, os quais apresentaram um rol de 646 irregularidades que constataram no processo eleitoral. O reconhecimento das irregularidades traz uma reviravolta na situação política do país, já que, na sexta-feira, o líder supremo da Revolução, o aiatolá Ali Khamenei, havia rejeitado a tese da oposição de que se Ahmadinejad se reelegeu através de fraudes. Também fica fortalecida a posição do líder oposicionista Mousavi, que lidera protestos desde a realização das eleições devido às suspeitas de fraude.
O Conselho dos Guardiães é considerado a instância constitucional máxima do país. Vê-se, portanto, que começa a bater de frente com o aiatolá Khamenei e com o presidente Ahmadinejad. O que pode ser o primeiro passo para a mudança do rumo dos acontecimentos do Irã.
No entanto, quem manda mesmo no país é a Assembléia dos Especialistas, composta de 86 membros, e que tem o poder de indicar o líder supremo religioso. Que é quem passa a exercer o poder, acima do executivo, legislativo e judiciário. E é sobre este conselho que o aiatolá Akbar Hashemi Rafsanjani, que já foi presidente do país e que também tem se revelado um transformador, está atuando, buscando desestabilizar Khamenei. Ali é que se dá a verdadeira disputa pelo poder. Vencerá quem tiver o maior apoio do setor militar. Que não aparece, mas que é quem dá sustentação às políticas do governo.