Não adiantaram os múltiplos protestos de organismos internacionais, como União Européia, OEA ou Sociedade Interamericana de Imprensa. A RCTV já não opera mais na Venezuela. Sabe-se perfeitamente que a decisão de não renovar a concessão, eufemismo para cassação da licença, se prende à oposição que a emissora fazia ao governo Chávez. Oposição que teve seu ponto marcante no apoio à tentativa de golpe contra Chávez em 2002.
Agora, o curioso nesse processo é que, quem mais se beneficia com esta estatização que houve da RCTV é outra figura que também apoiou o golpe de 2002. Trata-se de Gustavo Cisneros, dono da Venevisión. Ele e Marcel Granier, dono da RCTV, são casados com duas irmãs filhas de William Phelp, fundador da emissora que está saindo do ar. Cisneros esteve ao lado de Granier na tentativa de golpe. Aliás, muitos dizem que o verdadeiro golpista foi o canal 4, de Cisneros. Porém, frustrado o golpe, Cisneros simplesmente deu uma guinada de 180 graus e passou a apoiar o governo Chávez. Na campanha eleitoral do ano passado, o canal 04 dedicou 84% de seu espaço à campanha oficialista e apenas 16% para a oposição.
Com isto, Cisneros é hoje o beneficiário da fatia anual de 163 milhões de dólares em publicidade que a RCTV deixará de faturar. Como se vê, escrúpulo não é o forte desse magnata venezuelano de 61 anos que, segundo a revista “Forbes”, tem uma fortuna de 6 milhões de dólares, sendo o 119º homem mais rico do mundo é o terceiro da América Latina.