A situação de Honduras está tomando contornos, no mínimo, curiosos. A OEA deu um prazo de 72 horas para o país reverter o golpe e reestabelecer Manuel Zelaya no governo. Ao mesmo tempo, o presidente que assumiu, Roberto Micheletti, afirma que não acatará a decisão e que o aval mundial é uma questão de tempo.
O grande argumento do governo golpista é de que Zelaya havia mudado os rumos do país ao aderir à Alba, a Alternativa Bolivariana para as Américas, entidade liderada por Hugo Chávez. Aliás, Micheletti responsabilizou também Chávez pela crise que resultou no golpe de Estado.
Tudo isto pode ser verdade. Inclusive que Zelaya queria aprovar uma nova constituição para poder se reeleger, como fez Chávez. Mas isto não é justificativa para o golpe. Tudo poderia ser resolvido pela via constitucional. Se Zelaya estava com desvios de conduta era só aplicar a lei. Só que, ao invés de aplicar a lei, os opositores do presidente destituído atropelaram a lei. E seguem atropelando, na medida em que cercearam a liberdade de imprensa e estão fazendo prisões arbitrárias, sem ordem judicial, conforme está acusando a oposição.
Agora o país se torna o primeiro a ser punido com o dispositivo da Carta Democrática, aprovada pela OEA em 2001. O dispositivo obriga todos os governos do hemisfério a “promover e defender” a democracia.
Inquestionavelmente, o caminho é este.