O presidente Barack Obama manteve ontem, em Moscou, o primeiro encontro com o seu colega russo Dmitri Medvedev, o qual foi marcado por avanços e impasses. Entre os avanços está a questão nuclear. Os dois presidentes estabeleceram as bases para mais uma redução em seus arsenais nucleares. Em 5 de dezembro termina o Start, Tratado sobre a Redução de Armas Estratégicas, firmado em 1991 e que estabelecera um limite entre 1700 e 2200 ogivas nucleares para cada um dos dois países. Pelo acerto, este número baixará pra 1500. Outro avanço, se refere à autorização pela Rússia de circulação por seu território de suprimentos para as tropas americanas no Afeganistão. Ou seja, os EUA ganham um importante apoio logístico para suas ações no Afeganistão.
Os entraves ficaram por conta, entre outras coisas, do escudo antimísseis que os EUA querem instalar na Polônia e na República Tcheca. Medvedev disse que não quer esse sistema junto da fornteira russa. Obama argumentou que é para se precaver contra países como Irã ou Coréia do Norte. Medvedev disse que o assunto precisa ser melhor debatido, mas os dois dirigentes concordaram em constituir uma comissão mista que irá investigar os mísseis balísticos, que são a razão do escudo.
Nada transpirou do encontro sobre o incentivo que os EUA vem dando à Ucrânia e à Geórgia para ingressarem na Otan, fato que se constituiu em outro descontentamento de Moscou. Mas, enfim, diante do que resultou do encontro, se pode considerar que o mesmo foi positivo. Obama queria estabelecer o que chamou de um “recomeço” nas relações com Moscou. Pelo jeito conseguiu. Tanto que Medvedev declarou: “Os dois países tem responsabilidades mundiais e interesses mútuos, por isso tomamos medidas para um entendimento”.