A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal do Brasil rejeitou ontem, por unanimidade, a proposta de emenda à Constituição que daria um terceiro mandato ao presidente Lula. Com isto se definem algumas coisas com relação ao futuro de nosso presidente. Uma delas, conforme ele afirmou ontem em Paris, é de que poderá voltar mais adiante a se candidatar à presidência. Porém, até lá, Lula se torna um cidadão do mundo. Aliás, onde ele circula com muita desenvoltura, apesar de não falar qualquer outro idioma que não seja o português.
Ontem, Lula foi agracidado em Paris com o Prêmio Félix Houphouët-Boigny pela Busca da Paz, oferecido pela Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura. Prêmio este que é um prenúncio para o Nobel da Paz. Basta ver que nos 20 anos de existência desse prêmio da Unesco, sete dos que foram contemplados também conquistaram o Nobel. Estão nessa relação Jimmy Carter, Nelson Mandela, Shimon Peres e outros. Lula já teve alguns ações, especialmente no âmbito regional, que o colocam como propugnador da paz. Conseguiu evitar uma guerra civil em 2002 na Venezuela, por ocasião da tentativa de golpe contra Hugo Chávez. Conseguiu ajudar a acalmara Bolívia, no ano passado, quando quatro departamentos se rebelavam contra Evo Morales. Antes disto, havia conseguido um acordo entre Peru e Equador em função de disputa pela Cordilheira do Condor. Nos dias presentes, ele perdeu a oportunidade de ser mais incisivo na crise de Honduras, onde acabou despontando o já ganhador do Nobel da Paz, o costa-riquenho Óscar Arias.
Mas, além de prêmio, Lula pode galgar algum cargo internacional importante. Poderia até ser secretário-geral da ONU. Atributo de negociador ele tem. Por ser o Brasil um país que não é da primeira linha, também não há problema. Já tivemos como ocupantes do cargo ultimamente um egípcio, Bhutros Gali, um cidadão de Gana, Koffy Anan e, atualmente, temos um sul-coreano, Ban Ki-moon. Mas aí vai pesar para Lula, substancialmente, a falta do domínio do inglês, o idioma universal, indispensável para um ocupante do cargo mais alto da ONU. Um dirigente de um país até pode circular pelo mundo sem o inglês, como é o caso próprio Lula. Mas um mediador de conflitos, como é o caso do secretário-geral da ONU, não pode. Daí…