A violência que irrompeu no noroeste da China fez com que o presidente Hu Jintao cancelasse sua participação na reunião do G-8 na Itália. Violência que, para variar, é de cunho étnico-religioso. Como acontece com a maior parte dos conflitos que ocorrem pelo mundo afora. E no contexto religioso, também para variar, está o islamismo. E ainda seguindo a mesma linha de ações drásticas, o secretário do Partido Comunista na província de Xinjiang, onde se dá o conflito, ameaçou executar os envolvidos. Ou seja, mais mortes para justificar o combate às mortes.
A China, com o seu um bilhão e 300 milhões de habitantes, tem uma população majoritariamente da etnia han. Chega a 91,5%. Entre as minorias, estão os uigures, descendentes dos turcos e adeptos do islamismo. Eles são 45% na província de Xinjiang. E foi justamente um desentendimento, em uma fábrica, entre integrantes das etnias han e uigur que teria desencadeado os distúrbios que, segundo fontes oficiais provocaram a morte de 156 pessoas, porém, de acordo com os uigures, as mortes vão de 600 a 800 pessoas. O que é possível, porque os confrontos passaram a envolver também os policiais mandados à região para restabelecer a ordem.
Ou seja, o que se estabeleceu na China foi um conflito étnico que se misturou com a truculência policial.