Os países pobres, de um modo geral, costumam culpar os colonizadores por suas mazelas. Assim tem ocorrido, especialmente, por aqui, pela América Latina, e pela África. Pois, ao falar ontem em Gana, uma das poucas democracias da África, o presidente Barack Obama deu uma lição para esses povos que se dizem oprimidos. Obama disse que “é fácil apontar responsáveis e por culpa por seus problemas em outros. Sim, um mapa colonial que fazia pouco sentido gerou conflitos e o Ocidente tem frequentemente lidado com a África como um patrão e não como um parceiro”. É preciso salientar que os mapas coloniais foram os maiores causadores de conflitos, porque criaram países sem respeitar as divisões tribais que haviam no continente. Algumas tribos ficaram divididas, com parte em um país e parte em outro, enquanto que outros países acabaram abrigando duas ou mais tribos rivais.
Mas, Obama foi adiante nas suas colocações: “Não são os países colonizadores os culpados pela destruição da economia do Zimbabue na última década, nem por guerras em que crianças são recrutadas como soldados ou pelas frequentes práticas de corrupção na África.” E Obama pisou na ponta do calo ao dizer que os países africanos devem ser mais democráticos e menos corrruptos. Que nenhum país criará riquezas se seus dirigentes explorarem a economia para o seu próprio enriquecimento, ou se a polícia puder ser comprada por traficantes.
Vê-se que esse discurso serve de lição não só para África, mas também para a América luso-espanhola.