Não contente em ter fechado a RCTV, o presidente Hugo Chávez está investindo agora sobre o único canal independente que restou na Venezuela: a Globovisón. Isto que a emissora tem alcance limitado. Só funciona em sinal aberto em duas cidades do país. No restante só chega por cabo. Uma das alegações para tirar do ar a Globovisón é o fato de ela ter transmitido uma entrevista do presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa, na qual ele chama Hugo Chávez de “tirânico”. Ou seja, ninguém pode contestar o homem forte do país.
Assim, para funcionar como iniciativa privada na área televisiva, o empresário tem que fazer como Gustavo Cisneros, o dono da Venevisión, canal 4. Ele, que era opositor de Chávez, virou de lado, fez a campanha para a reeleição do presidente, e agora fica com a bolada de 163 milhões de dólares que a RCTV deixa de faturar. Fora a Venevisión, todas as demais são estatais, como a TVS, Televisão Venezuela Social, que substitui a RCTV, e mais a VTV, Telesur, Vive TV e TV Assembléia. Todas controladas por chavistas. Resta ainda a Ávila TV, que é controlada pelo governo metropolitano de Caracas.
Agora, em meio a isto, o que surpreende é a posição dos países do Mercosul. Ninguém se manifestou. O presidente Lula se limitou a dizer que isto é um problema interno da Venezuela. Parece que todos esquecem que a Venezuela é membro do Mercosul e que um dos preceitos básicos para um país faça parte do organismo é o pleno respeito aos preceitos democráticos. Onde, logicamente, se incluiu a liberdade expressão. Algo que a Venezuela viola e para o qual os dirigentes do Mercosul fazem vistas grossas.