A complicada situação política da América Latina segue sofrendo de altos e baixos. Em baixa, por exemplo, ficou a Organização dos Estados Americanos, cujo secretário-geral, o chileno José M. Insulza, teve a sua entrada vetada em Honduras. Sua ida àquele país estava programada para amanhã, juntamente com os chanceleres de mais sete países membros da organização, com finalidade de convencer o governo interino hondurenho a aceitar a proposta de conciliação feita pelo presidente da Costa Rica Óscar Arias. A rejeição à presença de Insulza se dá porque ele se pronunciou condenando o golpe que depôs Manuel Zelaya em Honduras. Neste caso, não poderia ser somente ele a ser proibido de entrar. Ninguém poderia. Até porque não houve um só país que apoiasse o governo que se estabeleceu sob a liderança de Roberto Micheletti. Na realidade, Micheletti não quer é discutir a proposta de Arias, porque esta prevê o retorno de Zelaya à presidência, num governo de coalizão, o que não é aceito pelos golpistas.
Por outro lado, na crise que envolve Colômbia e Venezuela, tivemos dois pequenos avanços. Um deles, foi a determinação de Chávez de mandar de volta a Bogotá o embaixador venezuelano. O outro, foi o fato de o Brasil, finalmente, passar a exercer uma posição de mediador na crise. Lula mandou o seu assessor diplomático Marco Aurélio Garcia conversar com Chávez e sugerir um contato dele direto com Washington, para esclarecer a questão das bases na Colômbia. Chávez disse que não tomaria a iniciativa, mas que, se o Brasil a tomasse ele aceitaria. Marco Aurélia já transmitiu a proposta ao assessor de Segurança Nacional do presidente Obama, Jim Jones. Tudo pode ser uma questão de tempo e pode também não dar em nada, mas, pelo menos estamos vendo o Brasil fazendo o que deve fazer.
REUNIÃO DA UNASUL
A Unasul, União das Nações Sul-Americanas, tem reunião hoje em Quito, tendo dois assuntos em destaque na pauta: o novo acordo militar entre a ColÔmbia e os EUA e a perseguição à imprensa que está havendo na Venezuela e, em menor grau, no Equador. Não se espera definição sobre nenhum dos assuntos, embora se saiba que o foco maior estará na Colômbia, cujo presidente não compareceu ao encontro, porque está de relações cortadas com o Equador.
O acordo que Bogotá está fazendo com Washington visa aumentar a presença militar americana na Colômbia, com duplo objetivo. Um deles, compensar a perda que os EUA estão tendo com o fechamento de sua base em Manta, no Equador. E outro, aumentar a ação do exército colombiano contra a guerrilha das Farc. E disto a Colômbia não vai abrir mão. Há desconfiança com relação a uma maior presença militar americana na região, mas isto,se bem explicado, poderá ser assimilado pelos vizinhos.
Já quanto à questão dos ataques que Chávez vem perpetrando contra a imprensa em seu país, é de se duvidar que a entidade tome alguma posição mais firme. Aliás, quem pode tomar uma atitude nesse sentido é o Mercosul. Chávez está na espera de que a Venezuela ingresso como membro efetivo no organismo regional. Um dos preceitos para tal é a preservação da democracia. O que não está havendo na Venezuela de Chávez.
PLANO EM DISCUSSÃO
A reunião da Unasul em Quito não resultou em qualquer decisão a respeito das bases americanas na Colômbia. Ou melhor, foi decidido que o assunto será tratado futuramente, em uma reunião de chanceleres e de ministros da Defesa da entidade. Nessa reunião deverão estar presente os representantes da Colômbia, tendo em vista que o presidente Álvaro Uribe não compareceu ao encontro de Quito. O que até certo ponto é compreensível. Colômbia e Equador estão de relações rompidas, desde março de 2008, quando tropas colombianas atacaram bases das Farc em território equatoriano. Ao decidir não comparecer a Quito, Uribe resolveu passar por sete países da América do Sul para explicar o acordo militar que estava fazendo com os EUA. Este fato serviu para amenizar as críticas que poderia receber na reunião da Unasul e serviu também para que a organização decidisse levar adiante a discussão sobre o tema, reunindo seus chanceleres e ministros da Defesa.
Tudo isto demonstra que tratou-se a questão de forma tranquila. O que não impediu que Hugo Chávez, como sempre, buscasse ser o destaque da mídia. Disse ele: “Cumpro com minha obrigação moral de alertar: ventos de guerra começam a soprar na região”. Ou seja, como sempre, com declarações fora de propósito.