Depois de sua ação contra a imprensa, que já passou 34 emissoras de rádio para o oficialismo do governo, mas, ação que ainda se propõe a criar o que chama de “crimes de mídia”, Hugo Chávez está se voltando para a área educacional. Um projeto de lei da educação, que está por ser votado na Assembléia Nacional, é apontado pela oposição como forma de controlar o ensino por meio da eliminação da autonomia universitária e da promoção do socialismo no sistema escolar. A aprovação pela Assembléia não será problema, porque Chávez tem a maioria absoluta na Casa desde 2005, quando a oposição cometeu o erro de boicotar a eleição. De acordo com o projeto, as universidades federais, hoje redutos da oposição, perderão o controle administrativo de admissão e processos eleitorais internos. Já organizações locais controladas pelo chavismo farão fiscalização das escolas, exercendo o que chamam de “papel pedagógico libertador para nova cidadania”. Além disto, há previsão de regulamentações posteriores e “leis especiais” para formar professores de níveis iniciais e de nível médio.
Porém, em meio ao ataque à educação, a imprensa não escapou: o projeto estabelece que rádios, jornais e TVs “deverão cumprir funções informativas, formativas e recreativas”. Depende sob que ponto de vista isto será encarado. Seguramente, que sob o mesmo ponto de vista que é encarado em Cuba, que é o modelo de Chávez, onde a imprensa só divulga o que os governantes querem.
Ao mesmo tempo, no âmbito das relações externas, Chávez está buscando substituir as importações que faz da Colômbia. E quem está tentando aproveitar esta brecha é a presidente da Argentina Cristina Kirchner. Ela foi a Caracas nesta terça-feira acompanhada de 70 empresários, para assinar acordos comerciais que, segundo os informes, chegam a 1,1 bilhão de dólares. A propósito, o comércio entre os dois países no ano passado totalizou 1 bilhão 242 milhões de dólares. Só que, praticamente um comércio unilateral. A Argentina vendeu 1 bilhão 220 milhões de dólares em carne, leite, caminhões e equipamentos mecânicos e importou bens de apenas 22 milhões de dólares.
Chávez já anunciou a suspensão de uma compra de 10 mil carros que faria da Colômbia e anunciou que vai comprar da Argentina. Ao receber Cristina, ele a saudou como “uma grande patriota de uma grande nação sul-americana”. A leitura que se faz é de que Chávez dará preferência a uma “patriota” em detrimento de um “entreguista”, Álvaro Uribe.