O Afeganistão vai realizar eleições presidenciais nesta quinta-feira, em meio a muita expectativa por parte do governo dos EUA, que torcem pela reeleição do presidente Hamid Karzai. Ele tem como principal opositor o líder talibã Abdullah Abdullah. As previsões são de vitória de Karzai, até porque em algumas regiões remotas, como as montanhas do oeste do país, muita gente nem sabe que tem eleições. Na realidade, são 41 candidatos, mas só dois com chances de ganhar.
O Afeganistão é emblemático para os EUA. Era ali que estavam, sob a proteção do então governo do Talibã, Bin Laden e os terroristas da Al Qaeda responsáveis pelos atentados do 11 de setembro de 2001. E foi para lá que o então presidente Bush mandou as tropas americanas. Tirou o Talibã do poder, ajudou na eleição de Karzai, mas não eliminou os terroristas. E antes de concluir o trabalho, decidiu atacar o Iraque. Foi o seu grande erro, pois deu oportunidade para o Talibã e a Al Qaeda se reorganizarem.
Barack Obama está tentando compensar o erro de Bush e recuperar o terreno perdido. Já anunciou que vai diminuir a presença no Iraque e aumentar no Afeganistão. A tarefa não será fácil. Tanto que, a cinco dias da eleição, o Talibã promoveu um atentado suicida contra o quartel general da Otan, matando pelo menos sete pessoas e ferindo mais de 100. O objetivo, na realidade, era a embaixada dos EUA, situada a 100 metros de distância.
Há a informação ainda de que pelo menos 10% dos pontos de votação não deverão abrir devido a ameaças do Talibã. É sob este clima que o país vai às urnas.