O passo dado pelo presidente Barack Obama no sentido de suspender a instalação de sistemas de mísseis na Polônia e República Tcheca, está repercutindo nas questões do Oriente Médio. Sim, porque a principal razão que a administração Bush alegava para instalar o sistema era a ameaça do Irã. Pois um dos motivos pelos quais Obama suspendeu o sistema é de que não existe ameaça de o Irã lançar foguetes de longa distância. E o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, aproveitou o fato para declarar neste domingo que os EUA sabem que estavam errados quando dimensionavam o poder bélico do Irã, assim como sabem que estão errados agora quando acusam o país de tentar desenvolver armas nucleares. “Nós fundamentalmente rejeitamos armas nucleares e proibimos a produção e uso de armas nucleares”, disse Khamenei, ao mesmo tempo em que pediu às potências ocidentais para revisarem suas políticas em relação ao Irã.
Já em Moscou, o presidente Dmitri Medvedev afirmava ter recebido do presidente de Israel, Shimon Peres, a afirmação de que aquele país não atacará o Irã. Sabe-se que, em muitas ocasiões, cogitou-se sobre um ataque de Israel às instalações nucleares do Irã, assim como já fizera com o Iraque em 1981. O fato é que para atacar o Irã, Israel precisa ter o aval dos EUA. E não obteve isto ao tempo de Bush. E não seria agora com Obama que obteria tal apoio. Obama quer aproximação com o Irã, para ter apoio nas suas ações no Iraque e no Afeganistão. No entanto, Israel declarou, através do seu vice-chanceler Danny Ayalon, que mantém a opção militar contra o programa nuclear do Irã.
De qualquer forma, tudo poderá se tornar mais claro a partir do dia 1º de outubro, quando deve ocorrer uma reunião entre representantes do Irã e dos seis países que com ele negociam o programa nuclear: EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha. Ou seja, em meio a tantas dúvidas, está aberto o caminho para a negociação.