Suspender a liberdade de imprensa é sempre um dos primeiros atos de uma ditadura. Pois é o que está fazendo agora o governo golpista de Honduras. Acossado pelas pressões internacionais e pelas manifestações internas, resolve suspender a liberdade de expressão e de imprensa caso julgue que provoquem “distúrbios da paz”. Já decorrem três meses desde a deposição do presidente Manuel Zelaya, em um golpe que obteve o repúdio maciço da comunidade internacional. Internamente o país ficou dividido, com parte apoiando Zelaya e outra parte os golpistas.
O decreto autoriza a polícia e as forças armadas a fecharem quaisquer estações de rádio ou televisão “que não ajustarem sua programação às disposições atuais”. O decreto suspende por 45 dias a liberdade de expressão, associação e trânsito, e veda reuniões públicas não autorizadas pela polícia ou pelo exército local. Também autoriza a prisão sem mandados. Ou seja, censura total.
No campo diplomático, não se vislumbra uma solução para a crise hondurenha. A proposta do presidente da Costa Rica e Prêmio Nobel da Paz Óscar Arias, de formação de um governo de coalizão até as eleições de novembro, não encontrou respaldo. Na medida em que a crise se estende sem uma solução, cresce também o atrito do Brasil com o governo de Roberto Micheletti. Este resolveu exigir que o Brasil defina a situação de Zelaya, ao que o presidente Lula respondeu que “não aceita ultimato de um governo golpista”. De outra parte, Zelaya contrariou pedido de Lula para que não fizesse manifestação política a partir da Embaixada brasileira. Ele conclamou o povo hondurenho à insurreição. Ou seja, estamos indo para um terreno perigoso.