O primeiro-ministro da Sérvia Vojislava Kostunica manifestou o seu descontentamento com a posição do presidente Bush a favor da independência da província de Kosovo. Aliás, este é um dos muitos pontos de divergência atualmente entre George Bush e Vladimir Putin. Diferentemente do mandatário americano, o líder russo quer que Kosovo siga como uma província da Sérvia, defendendo a posição de um histórico aliado: o povo servo.
A questão é controversa. Kosovo tem uma população 90% de origem albanesa e apenas 10% de origem sérvia. No final da década de 90, em plena guerra civil que resultou na desintegração da Iugoslávia, a província foi palco de uma guerra genocida. O governo de Belgrado patrocinou uma carnificina da população de origem albanesa. A mortandade só terminou por ação, em 1998, do então presidente americana Bill Clinton. Ele providenciou uma intervenção das tropas da OTAN e uma administração do local por parte da ONU. Situação que se mantém até hoje.
Mesmo em meio a esse rígido controle, sempre que possível, kosovares sérvios e albaneses estão se matando uns aos outros. Há menos de dois anos, tivemos violentos confrontos que deixaram 19 mortos e 4 mil desabrigados, após dois dias de combate. Isto demonstra que, no atual momento, não há alternativa nem para a proposta de Bush, nem para a de Putin, pois, se a OTAN resolver se retirar, a carnificina volta. Isto, em plena Europa dita civilizada.