As coisas são no mínimo curiosas aqui na América Latina. Agora, por exemplo, está estabelecida uma grande discussão em torno da preservação da democracia em Honduras. O Brasil, inclusive, resolveu comprar uma briga em defesa da volta de Manuel Zelaya ao governo, como forma de restaurar a democracia no país. Também por ação do Brasil já foram impedidos, no mínimo, dois golpes de estado no Paraguai nos últimos anos.
Pois, ao mesmo tempo em que se tenta preservar a democracia, se remexe com o nefasto período da ditadura. Está sendo julgado na Espanha o ex-militar argentino Juan Alberto Poch, que teria participado dos chamados “voos da morte” com os quais a ditadura do país (1976-1983) eliminava presos políticos, atirando-os no rio da Prata a partir de aviões em movimento. Poch, que foi detido dia 22 de setembro em Valência, está respondendo perante a Audiência Nacional da Espanha, a mais alta corte do país. Ele negou o envolvimento naqueles nefastos episódios.
Independentemente da culpabilidade ou não do ex-militar argentino, o episódio trás à tona um dos períodos mais terríveis da política na América Latina: o período das ditaduras militares. Na Argentina, somente nos chamados “vôos da morte”, mais de 11 mil pessoas morreram ou desapareceram. No total, os mortos ou desaparecidos da ditadura somam mais de 30 mil naquele país.
Daí a importância de lembrar esses episódios e de se continuar com a defesa intransigente da democracia aqui em nosso continente.