O presidente Hugo Chávez da Venezuela segue expandindo seu domínio político, tanto interna como externamente. Internamente, a Assembléia Nacional acaba de oficializar a reforma da lei sobre as Forças Armadas que permite a incorporação das milícias civis criadas por Chávez. Ele já comprou 100 mil fuzis Kalishnikov da Rússia para armar essas milícias, que serão formadas por cidadãos comuns e que irão atuar sob o comando do próprio presidente. O objetivo, segundo argumentou Chávez ao criar a corporação, é usá-la em caso de invasão externa.
Pois no âmbito externo, Chávez ampliou hoje o processo de cooperação com o seu parceiro Rafael Correa do Equador. Os dois presidentes assinaram em Caracas uma série de acordos bilaterais, porém, no âmbito da Alba, a Aliança Bolivariana para as Américas. Entre os novos acordos figura um convênio de “cooperação técnico-militar”, que inclui a mútua prestação de serviços, transferência de tecnologia, fornecimento de materiais e intercâmbios acadêmico e militar. Além disso, os dois líderes firmaram acordos para a doação venezuelana de US$ 20 milhões em móveis, utensílios e equipamentos para pessoas com deficiência, além da criação de uma “grande empresa nacional” de produtos de pesca. Ou seja, é Chávez fazendo o seu assistencialismo com o dinheiro do petróleo da Venezuela.
Enquanto isto, crescem os protestos dentro da Venezuela quanto às violações aos direitos humanos com os opositores ao governo. Nesta semana, três estudantes de Direito fizeram um protesto junto à Embaixada do Brasil, onde se algemaram simbolicamente. Eles clamam por ações da OEA e do presidente Lula na Venezuela em defesa do direito de manifestação dos que são contra o regime. Mesmo pleito é feito pelo governador de Caracas, Antonio Ledezma, que é um principais líderes da oposição. Em entrevista a Folha, ele criticou a pouca atenção da OEA às demandas da oposição venezuelana. Na entrevista, Ledezma disse que Lula “marcaria um gol” se influenciasse o colega venezuelano a respeitar os limites entre os poderes na Venezuela. O problema será fazer Lula entrar neste jogo de Chávez.