A China mobilizou nesta semana 149 aviões de combate em manobras sobre as áreas de defesa de Taiwan. Então, logo vem a primeira pergunta: por que esta mobilização. A resposta remonta a 1949, quando Mao Tsé-tung liderou a grande marcha que culminou com a tomada do poder na China e a implantação do comunismo. O então dirigente chinês, Chiang Kay-check refugiou-se em Taiwan, mantendo ali o regime capitalista. Desde então Pequim considera a ilha uma província rebelde e nunca negou sua intenção de retomá-la. Já os Estados Unidos, através de decisão do Congresso, assumiram a defesa da ilha, fornecendo inclusive armamentos. Por isto que Pequim nunca avançou sobre o território rebelde.
No entanto, ultimamente, a China vem dando sinais, cada vez maiores, de que quer concretizar esta intenção. Inclusive, um estudo de estrategistas militares taiwaneses, divulgado nesta terça-feira, indica que até 2025 este fato será consumado. Neste caso teríamos uma catastrófica confrontação entre Estados Unidos e China. Porém, os norte-americanos não estariam sozinhos nessa empreitada. O Japão, que nesta semana empossou novo primeiro-ministro, Fumio Kishida, endureceu seu discurso e disse que está se preparando “para vários cenários”. O chanceler Toshimitsu Montegi referendou a aliança do país com os EUA. O Japão teme que se Pequim tomar Taiwan poderá na sequência avançar sobre ilhas japoneses situadas nas proximidades. Outros dois aliados norte-americanos são o Reino Unido e Austrália. Tanto que os três países firmaram um acordo para o fornecimento de submarino nuclear para o governo de Canberra.
Enquanto isto, seguem as manobras militares norte-americanas e de aliados no mar do Sul da China, por águas que Pequim considera que fazem parte de seu território, mas que seus oponentes consideram como sendo internacionais. E aí surgem outros aliados de Washington, que são os pequenos países daquela área, como Vietnã, Indonésia, Brunei e outros que estão perdendo suas águas territoriais para a China. As manobras das forças ocidentais na área começaram sob o governo de Donald Trump e incrementaram-se agora com Joe Biden. Nesta quarta-feira, enquanto dois porta-aviões, um americano e outro britânico, navegavam pela costa das Filipinas, radares detectaram navios chineses que os seguiam. Os navios de guerra ocidentais já haviam realizado manobras em águas entre o Japão e Taiwan.
Em meio à crescente tensão na Ásia, com a possibilidade cada vez mais iminente de uma confrontação, os presidentes dos EUA, Joe Biden, e da China, Xi Jinping, anunciaram que terão um encontro virtual antes do final do ano. O objetivo seria a busca de um alívio nas tensões, o que, logicamente, é saudado não só pelos atores envolvidos, mas, por todo o mundo. Imagine-se o que seria uma guerra entre duas potências nucleares. Por via das dúvidas, Washington segue aumentando seu controle sobre o adversário, tanto que a CIA, a agência de inteligência norte-americana, criou um novo centro de espionagem dedicado apenas ao regime comunista de Pequim. O chamado Centro de Missão China foi anunciado nesta quarta-feira pelo diretor da CIA William Burns. Assim, a estratégia norte-americana é de negociar, mas, seguir procurando conhecer cada vez mais tudo sobre o adversário.