Por 12 votos a 5, a Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal aprovou nesta quinta-feira o ingresso da Venezuela no Mercosul. Os governistas que votaram a favor da medida tiveram que enfrentar os oposicionistas, que não queriam saber da presença do país de Hugo Chávez no bloco regional. No entanto, é preciso fazer uma distinção entre a Venezuela e Hugo Chávez. O líder bolivariano está hoje na presidência do país. Amanhã não estará mais e o país Venezuela seguirá sua vida. Chávez passa, a Venezuela não. E o ingresso da Venezuela não é um assunto que interessa apenas a Chávez. Interessa a todos os venezuelanos. Aliás, foi isto que procurou mostrar nesta terça-feira o prefeito de Caracas Antonio Ledesma, em pronunciamento feito no Congresso brasileiro. Ele que é opositor ferrenho a Chávez, decidiu vir a Brasília para fazer a enfática defesa do ingresso venezuelano no Mercosul. E foi bem sucedido, tanto que ontem houve a aprovação.
No que toca ao Brasil, é importantíssima a parceria, pois a Venezuela só produz petróleo. Todo o demais compra de fora. E o Brasil, que já é um fornecedor de produtos agrícolas e de manufaturados, pode expandir muito mais as exportações com a parceria do Mercosul.
E tem mais um detalhe ainda. Para um país fazer parte do Mercosul, ele precisa preservar os preceitos democráticos. Esta, portanto, será uma boa maneira de evitar os arroubos ditatoriais de Chávez. Assim, ou se mantém na democracia ou cai fora do Mercosul.