Mesmo com uma vitória pouco expressiva nas eleições legislativas, o presidente Nicolas Sarkosy quer levar adiante seu projeto de reformas na França. Essas reformas incluem a redução dos impostos pagos pelas empresas e o aumento do TVA, imposto sobre consumo que equivale ao nosso ICMS. O pacote incluiria ainda a possibilidade de horas extras livres de impostos, colocando em prática o slogan “trabalhe mais para ganhar mais”. Desde 2002, a jornada de trabalho na França é de 35 horas semanais. Haveria ainda redução do imposto sobre a herança e sobre a fortuna.
Sarkosy, como Lula está tentando fazer por aqui, quer mexer nos direitos dos grevistas, defendendo um serviço mínimo durante a greve. Os sindicatos, no entanto, mostram-se dispostos a resistir à medida. A poderosa CGT emitiu um “aviso”, aconselhando o governo “a não cometer o erro de atuar apenas pelo interesse da elite econômica”. O presidente francês está preocupado com um dos grandes problemas, não só de seu país, mas de toda a Europa, que é a questão da imigração. E, para isto, quer também a aprovação de uma lei que dificulte o processo imigratório.
Já nesta terça-feira os projetos estarão sendo apresentados ao Parlamento para discussão. A maior aposta de Sarkosy está no aumento do TVA, com o que pretende ampliar os programas sociais. Algo crucial nesse país que, dos anos 60 aos 80, admitiu uma leva enorme de imigrantes, para fazerem os serviços menos qualificados, que os franceses não queriam fazer. Mas que agora vê os filhos e os netos desses imigrantes, que são cidadãos franceses, perambularem pelas ruas, sem emprego e sem perspectiva. E, como tal, aumentando o índice de marginalidade e de violência.
Enfim, são múltiplos os desafios, mas Sarkosy, pelo menos neste início de governo, está mostrando que tem coragem para enfrenta-los.