São profundas as mudanças que estão ocorrendo no Oriente Médio, onde, até pouco tempo, o que chamava a atenção era a disputa territorial entre Israel o os palestinos. Estes contando com o irrestrito apoio do mundo árabe. Pois esses parceiros vêm gradativamente alterando a forma como vêem a situação na região. Esta mudança começou de forma tímida no final dos anos 70, quando Anuar Sadat ousou fazer as pazes do Egito com Israel. Em 1994 foi a vez da Jordânia. Recentemente, tivemos os chamados “Acordos de Abraão”, mediados pelo então presidente Donald Trump, que resultaram na paz de Israel com Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão. Houve também aproximação com a Arábia Saudita, embora esta ainda não tenha sido formalizada.
Diante disto fica a indagação sobre a situação dos palestinos, tendo em vista que os árabes estiveram ao seu lado nas quatro guerras travadas contra Israel. Ultimamente, as guerras de Israel têm sido somente contra uma parte dos palestinos. Os integrantes do grupo radical Hamas, que está radicado na Faixa de Gaza, onde vivem perto de dois milhões de palestinos. Outros 3,5 milhões vivem na Cisjordânia, sob a liderança do moderado Fatah, que ainda espera por uma negociação com Israel para viabilizar o seu estado nacional. Já o Hamas mantém a velha ilusão de que poderá destruir Israel pela força. Desde seu isolado território tem lançado foguetes contra cidades israelenses, o que tem provocado a reação das forças de Israel e resultado em guerras entre as duas partes. As mais expressivas foram travadas em 2014 e 2021.
Este último conflito, em maio de 2021, durou 11 dias e neste período o Hamas lançou 4,3 mil foguetes contra cidades do sul e do centro de Israel, tendo atingido até a populosa Tel Aviv. Israel, de sua parte realizou cerca de 1,5 mil bombardeios aéreos no densamente povoado território palestino. Esses dados são da ONU, que também indicam que o saldo de palestinos mortos foi de 230, sendo 130 civis. Em Israel o número vítimas fatais foi de 13. Desde o término deste conflito, os dois lados vêm mantendo conversas indiretas, com a intermediação do Egito, visando um cessar-fogo duradouro e a possibilidade da reestruturação da Gaza. Esta recuperação é estimada em 500 milhões de dólares, segundo relatório do Banco Mundial.
A comprovação de que as negociações indiretas estão avançando reside nas decisões de Israel de aliviar o cerco a Gaza, permitindo circulação mais livre de pessoas e de bens, assim como ampliou a zona de pesca em que os moradores de Gaza podem pescar, vem facilitando o escoamento das exportações locais e em novembro autorizou a reativação das transferências mensais de cerca de 30 milhões de dólares que o governo do Catar fornece ao Hamas. E como o desemprego em Gaza é da ordem de 40%, o governo israelense já autorizou 10 mil palestinos daquela área a trabalhar em Israel. O que não deixa de ser uma forma de ir enfraquecendo o apoio popular palestino ao Hamas.