Tony Blair cumpre hoje o ritual de saída do governo em meio a aplausos de uns, por ter melhorado a situação econômica do país, e a protestos de outros, por ter feito o país mergulhar na desastrada guerra do Iraque.
Em termos de economia, Blair conseguiu alguns pontos significativos. Ele promoveu a recuperação econômica do Reino Unido. Criou o salário mínimo, que não existia no país. E, em seis anos, promoveu um aumento de 40% nesse mínimo. O desemprego, que era de 7% em 1997, recuou para 4,8%em 2006. E a recuperação do país deu-se, em boa parte, impulsionada por investimentos públicos.
Já com relação à guerra no Iraque foi um desastre. Os mais brincalhões e que não sentiram de perto as conseqüências da guerra, o apelidaram de “poodle” de Bush. Porém, quem, como Rose Gentle, cujo filho morreu em Basra, no sul do Iraque, há três anos, não consegue conter o ódio. Segundo a BBC, ela protestava diante da residência do premiê quando ele saía para ir ao Parlamento apresentar sua despedida. O que ela disse sintetiza o sentimento daqueles que perderam entes queridos no Iraque ou em conseqüência do atentado da Al Qaeda ao metrô de Londres: “meus sentimentos são de ódio a Tony Blair”.
Pois é assim, em meio a amor e ódio, que Blair deixa o governo depois de 10 anos. A difícil tarefa para seu sucessor, o ex-ministro das Finanças Gordon Brown, será sair dos atoleiros do Afeganistão e do Iraque.