Tivemos nos últimos dias um périplo de dirigentes do Oriente Médio ao Brasil, na explícita tentativa de colocar o nosso emergente país no centro das discussões sobre a região. Mais especificamente, tornar o Brasil um mediador das questões que envolvem israelenses e palestinos e da questão referente ao programa nuclear iraniano. Tenho colocado em dúvida a capacidade do Brasil de exercer esse papel, tendo em vista que nem os conflitos regionais o nosso país tem conseguido negociar. E a prova mais contundente deste aspecto veio nesta quarta-feira. O presidente Lula havia dito que pretendia aproveitar a Cúpula Amazônica, terminada ontem em Manaus, para colocar frente a frente os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Álvaro Uribe, da Colômbia, para estabelecer a paz entre ambos. O que aconteceu? Nenhum dos dois foi a Manaus! Assim como também não foram os outros bolivarianos, Rafael Correa, do Equador, e Evo Morales, da Bolívia. Foi um vexame. O francês Nicolas Sarkozy se deslocou da Europa para cá, para participar de uma reunião de assessores.
Ou seja, péssimo para o prestígio do presidente Lula.
Menos mal que foram acertadas algumas metas para serem defendidas na Conferência Internacional sobre o Clima, na próxima semana, em Copenhague. Conferência que ganhou força pelas decisões de EUA e China de participarem e de anunciarem metas de reduções de emissões de gases poluentes. Quem, sabe, já que não tem conseguido nada como mediador político, Lula consiga avanços na questão do clima. O planeta lhe agradecerá.