Estou no Uruguai, onde vim passar a virada de ano na bela Punta del Este. O sofisticado balneário que, em tempos passados, recebia quase que exclusivamente argentinos, tem hoje uma presença muito grande de brasileiros e de chilenos. Basta ver as placas dos carros que circulam por suas avenidas ou constatar a tabela de vôos da Pluna, que intensificou o número de suas ligações com Santiago, São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.
O diferencial, no entanto, fica por conta do porto de Maldonado, a intendência da qual Punta del Este faz parte. No último dia 17 foram inauguradas as obras de remodelação do porto, com suas três novas marinas, que não só melhoraram substancialmente as operações, como deram um novo visual àquela área. As obras de remodelação, que somaram 10 milhões de dólares, deram maior operacionalidade ao luxuosos iates e aos transatlânticos que ali tem atracado e que dão um visual sofisticado à paisagem. Só para este veraneio o porto deverá receber 108 navios de cruzeiro.
Já para os brasileiros que vão ao Uruguai o grande diferencial fica por conta da aceitação que está tendo o real, cuja cuja cotação está em um para 10 pesos. Nossa moeda tem ampla aceitação em restaurantes e lojas. E para quem viaja de carro, como a maioria dos gaúchos, é possível até pagar o pedágio das rodovias com real. Quem diria?
ÚLTIMA REUNIÃO
O presidente uruguaio Tabaré Vasquez realizou hoje ao meio-dia a última reunião do ano com o seu gabinete ministerial, da qual participaram o presidente eleito José Mujica e o seu vice Danilo Astori. Foi mais um encontro de caráter festivo, realizado na residência de verão de Anchorena, no departamento de Colônia. O presidente Tabaré Vasquez fez um balanço do ano que está terminando, o qual, diga-se de passagem, indicou um crescimento do PIB uruguaio da ordem de 8,5%. Algo extraordinário para um país que estava estagnado há quatro décadas.
A transição efetiva de governo aqui no Uruguai começará amanhã, às 18 horas, com uma cerimônia no palácio de governo. Participarão ministros do atual e do futuro governo, subsecretários e lideranças parlamentares. Será um ato formal, posta que os contatos entre os ministros já estão acontecendo há algum tempo.
Torna-se evidente que a transição é facilitada porque se dá entre integrantes de um mesmo partido político. No entanto, Tabaré Vasquez tem enfatizado que faria a mesma coisa se o novo presidente fosse de outro partido. O que é bem possível. Tabaré, que é médico, tem se destacado pela moderação e pela cordialidade. Tive oportunidade de constatar isto quando o entrevistei, por duas vezes, quando de sua vitória eleitoral e quando assumiu a presidência do Mercosul.
A curiosidade agora, quanto à conduta, fica por conta de seu sucessor, o ex-guerrilheiro tupamaro José Pepe Mujica.
TRANSIÇÃO
Começa oficialmente às 18 horas de hoje o processo de transição de governo no Uruguai. Uma reunião no palácio do governo, em Montevidéu, entre os ministros do governo atual e os ministros do futuro governo marca o início do processo, que deve se dar de maneira tranquila. Afinal, tanto o presidente que sai, Tabaré Vásquez, com o que entra, José Mujica, pertencem ao mesmo partido, a Frente Ampla, que vem dominando o cenário político do Uruguai nestes anos 2000. Começou com o próprio Tabaré Vásquez ao ser eleito para a prefeitura de Montevidéu. O sucesso de sua administração o levou à presidência da república, onde só não foi reeleito porque a Constituição não permite. Porque se dependesse do sucesso da administração continuaria à frente da casa de governo. Afinal, o Uruguai fecha este ano de crise econômica mundial como uma grande exceção. Enquanto muito países tiveram crescimento negativo e até o Brasil, que um dos países que menos sentiu a crise, terá um crescimento de apenas um por cento, o Uruguai fecha o ano com um crescimento de 8,5%. Algo que foi destacado na última reunião ministerial do ano, realizada ontem ao meio-dia e que contou com as presenças do presidente e vice atuais e dos que irão assumir a 1° de março.
Ou seja, Tabaré Vasquez entraga o país para o seu sucessor em uma situação tão privilegiada como há muito os uruguaios não viam.