Hugo Chávez não consegue ficar fora da mídia. Na semana passada, deixou de participar da cúpula do Mercosul para ir comprar armas em Moscou. Uma forma de se tornar a figura mais importante do encontro, embora estando ausente. Pois mal retornou e já resolve atacar Brasil e Paraguai, países cujos parlamentos ainda não aprovaram o ingresso da Venezuela no Mercosul. E nem poderiam aprovar mesmo.
O governo de Hugo Chávez fala em fazer parte do bloco, mas até agora não estabeleceu um cronograma de abertura de mercado e nem de adoção de uma tarifa externa comum. Dois preceitos básicos para qualquer parceria no âmbito do Mercosul. O fato é que Chávez não está interessado no Mercosul nos moldes em que ele foi traçado. A intenção dele era entrar para o organismo e estabelecer a sua dominação, dentro dos preceitos que ele traçou para a chamada “comunidade bolivariana” de nações. Ou seja, com base no proselitismo, no projeto mirabolante, como a construção do Gasoduto do Sul, ligando o Orinoco a Patagônia.
O proselitismo não é o problema, o que começa a preocupar é o armamentismo de Chávez e as alianças que ele está fazendo. Nesta segunda-feira, por exemplo, ele firmou um convênio com o seu colega do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, para construção de uma usina petroquímica conjunta, obra que vai custar 700 milhões de dólares. Chávez, que em dois anos já esteve três vezes no Irã, está fortalecendo a aliança com aquele país e dando total apoio ao programa nuclear iraniano, que está sendo contestado pela comunidade internacional.
Mas, antes de passar pelo Irã, o “líder bolivariano” havia estado na Rússia, onde foi comprar armas. No pacote, segundo noticiou o jornal econômico russo “kommersant”, está o pedido para a construção de nove submarinos diesel-elétricos, sendo cinco do projeto 636 e quatro do projeto 677E Amur. Os novíssimos 677 nem sequer entraram em serviço na Marinha russa.
Chávez estaria negociando também um sistema de defesa anti-aérea. Nos últimos anos, ele já comprou da Rússia 4 bilhões de dólares em armamentos. As compras incluem 24 caças Su-30MK, 50 helicópteros de combate de transporte, sistemas de defesa aérea Tor-M1 e 100 mil fuzis automáticos Kalashnikov. Os fuzis seriam utilizados para armar as milícias populares.
Além disto, a indústria naval russa oferece à Venezuela lanchas-patrulha Mirazh, lanchas de desembarque Murena-E, helicópteros Kamov e sistemas litorâneos de mísseis, capazes de alcançar alvos de até 130 quilômetros de distância.
Como se observa, estamos diante de um país cujo dirigente se choca cada vez mais com os seus vizinhos. Externamente, cria uma situação que tende a se tencionar na região. E, internamente, fomenta até uma guerra civil, na medida em que está armando as milícias que lhe dão suporte.
Está na hora, pois, de os países do Mercosul entenderem que o problema Chávez não se reduz ao proselitismo.