Ao completar-se hoje um ano de governo Obama, está sendo feito um balanço sobre as suas realizações deste período. Especialmente, no que toca ao que foi promessa de campanha. Há, inclusive, uma velada crítica de que Obama não estaria cumprindo o que prometera. É verdade, mas só tem um ano de governo e ele recebeu algumas heranças malditas, como a crise financeira e as guerras de Iraque e Afeganistão. Recebeu também uma situação de quase guerra com o Irã e que está administrando. Com dificuldades, tem conseguido levar adiante o seu plano de saúde, assim como o desmantelamento da prisão de Guantánamo.
No entanto, Obama teve uma grande conquista que não se ouve ninguém falar. Foi desmontar a nova Guerra Fria que se estabelecia com a Rússia, em função do projeto de instalação de sistemas de radar e anti-mísseis na Polônia e República Tcheca. O projeto, traçado por George Bush, se colocado em prática, levaria a Rússia a instalar sistema similar no encrave de Kaliningrado, junto à fronteira com a Polônia. Ou seja, ao invés de avançarmos, como estávamos avançando no desarmamento nuclear, teríamos uma nova corrida e, quem sabe, uma volta ao “equilíbrio do terror”. Obama cancelou o projeto, que tinha inclusive a rejeição de boa parte dos parceiros da Europa, e estabeleceu uma reaproximação com a Rússia.
Esta foi, quem sabe, a maior conquista de seu primeiro ano de governo.
INTERVENÇÃO
No momento em que passam a agir de forma incisiva no Haiti, os EUA recebem a acusação de que estão se aproveitando do terremoto para praticarem uma intervenção naquele país. Destaco dois pontos para começar a análise. Um deles, não resta dúvida de que a imagem de um helicóptero com tropa americana pousando no pátio do palácio presidencial de Porto Príncipe é emblemática. O outro, não resta dúvida, também, de que a acusação contra os EUA não pode ser levada muito a sério, pois partiu dos bolivarianos Hugo Chávez, da Venezuela, e Evo Morales, da Bolívia.
Em meio a esses extremos há um fato notório: o horror do que está acontecendo no Haiti. Porém, mesmo em meio a esse horror não se pode ser ingênuo e pensar que toda a ação de ajuda tem o fim exclusivamente humanitário. Que nada é pensado politicamente. É claro que há o interesse político por trás. E este, evidentemente, é o interesse do governo Obama. Só que, o interesse político do governo Obama no caso do Haiti é justamente ressaltar a ação humanitária, visando, com esta imagem, ofuscar a ação de guerra que esse mesmo governo tem que desenvolver no Iraque e no Afeganistão.
Este é o proveito que o governo Obama quer tirar, até porque, em termos econômicos, o domínio do Haiti não traria nenhuma vantagem.