Depois de sete meses de espera, finalmente, Thomas Shannon assumiu nesta quinta-feira, em Brasília, as funções de embaixador dos EUA no Brasil. O diplomata de 51 anos e que fala fluentemente o português, é considerado um hábil negociador. O que, aliás, já demonstrou antes de chegar a Brasília. Semana passada, em Washington, teceu elogios ao governo brasileiro pelos esforços que o mesmo tem feito no sentido de tentar convencer o Irã a aceitar a proposta da ONU para o seu programa nuclear. Coincidência ou não, o fato é que nesta terça-feira o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad fez um pronunciamento pelo teve, dizendo-se disposto a aceitar a proposta da ONU, que prevê o enriquecimento do urânio do Irã fora do país. E ainda indicou para esse trabalho a França e o Brasil.
A confirmar-se tudo isto, o Brasil ganha crédito internacional e Shannon chega como um pé quente. Mas, para chegar até aqui, Shannon teve que vencer muitos obstáculos. Basta ver os sete meses decorridos para sua posse. teve o nome bloqueado por três senadores com agendas diferentes e em momentos distintos do processo de aprovação. O primeiro, Charles Grassley, reclamou do fato de o diplomata ter defendido o fim da taxação ao etanol brasileiro cobrada hoje pelos EUA. O segundo, Jim DeMint, questionou a posição a princípio dura dos EUA em relação ao golpe hondurenho. O último, o novato George LeMieux, representando os interesses da ala mais conservadora da comunidade cubano-americana da Flórida, dizia que Shannon havia sido leniente com o regime castrista em sua gestão. Com muitas negociações de bastidores, que envolveram telefonemas e mesmo uma visita ao Senado da secretária de Estado, Hillary Clinton, e na qual a Chancelaria americana garantiu aos queixosos que era sensível às preocupações, as resistências foram quebradas.