O impasse na solução da crise que envolve o programa nuclear do Irã está tendo um outro efeito no Oriente Médio. Os países árabes do Golfo Pérsico, ou Golfo Arábico como eles preferem chamar, estão tratando de se armar. Afora a Síria, todos os países da região estão preocupados com a expansão do regime fundamentalista do Irã. Ainda mais que, nos últimos meses, o país dos aiatolás fez testes com mísseis de longo alcance, capazes de carregar ogivas nucleares e que podem chegar a 2000 quilômetros, ou seja, podem atingir qualquer país da região. Testou também um foguete espacial e iniciou o processo de enriquecimento de urânio.
Assim, segundo levantamento feito pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, “a preocupação com o Irã levou os países do Golfo Pérsico a buscar silenciosamente formas de garantia estratégica dos EUA e adquirir os mais modernos equipamentos militares”. Dois exemplos citados pelo organismo que tem sede em Londres são os Emirados Árabes Unidos, que teriam investido em 2008 o equivalente a R$ 17,4 bilhões e a Arábia Saudita, com o equivalente a R$ 15,6 bilhões. E de onde esses países estão comprando armas? Dos EUA, logicamente! Assim, não é de se constatar que para a indústria bélica americana é interessante continuar com esta situação de impasse com o Irã. Sem contar ainda que a indústria bélica vende também para as Forças Armadas do próprio EUA, que decidiu enviar para o golfo dois navios de guerra e instalar na região sistemas de mísseis e antimísseis.