A ocupação da Mesquita Vermelha em Islamabab, capital do Paquistão, terminou como se previa, ou seja, com a invasão das forças de segurança, provocando uma carnificina. Vale lembrar que no interior da mesquita, ocupada no domingo por estudantes radicais islâmicos, havia mulheres e crianças. A invasão aconteceu porque não houve acordo na negociação estabelecida entre os representes do governo paquistanês e um dos líderes dos islâmicos, que se negou a libertar as mulheres e crianças.
A falta de acordo está ligada ao radicalismo dominante na região. O Paquistão vive sob uma ditadura, sob a liderança de Pervez Musharraf. Seu governo é laico e tem o apoio das forças armadas. Mas a religião, entenda-se aí islamismo, é forte no país. Tão forte que está associada à própria história de independência do país. O Paquistão formava com a Índia e Bangladesh um só território ao tempo da colonização britânica. Tão logo foi concedida a independência, em 1948, estourou uma guerra de cunho religioso, contrapondo muçulmanos e hindus e resultando em países separados e diferenciados pelo aspecto religião.
Hoje, o islã, no seu lado mais radical, tenta implantar o seu domínio sobre o país. O radicalismo foi demonstrado no presente episódio pelo líder da ocupação da mesquita vermelha Abdul Rashi Ghazi, que prometeu resistir até a morte. E a morte acabou o encontrando.
O objetivo dos radicais islâmicos é estabelecer no Paquistão um regime semelhante ao do Talibã, que dominava o Afeganistão e foi afastado pela ação dos EUA. O que restou do Talibã se juntou com a Al Qaeda e se reestruturou na região do Waziristão, que situa-se justo na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. E esta é uma área que está fora de controlo dos governos dos dois países e que são apoiados pelos EUA.
Assim, se essa área não for isolado e controlada, os EUA correm o risco de ver dois importantes aliados despencar. E o que é pior: o Talibã voltar e se expandir.